Portugal sem cidades globais

Os estudos divulgados em Maio e Junho de 2003 de "classificação" de cidades com projecção mundial ou consideradas "ganhadoras" nos próximos anos ainda não incluem Lisboa

Jorge Nascimento Rodrigues, Agosto de 2003

Sítios na Web a visitar
Jones Lang LaSalle | GaWC | Quadros de classificação

Estudos recomendados
Relatório de Maio 2003 sobre as Cidades Ganhadoras
Research Bulletin 113 do GaWC sobre cidades mundiais

Lisboa ainda não entrou no pelotão das 40 cidades do mundo que podem ser consideradas "globais", pelo seu posicionamento nas redes mundiais de serviços avançados às economias, de activos de conhecimento ou de fluxos de passageiros de avião.

Cidades como Madrid, Praga, Barcelona e Varsóvia conseguiram-no na última década, segundo o estudo agora divulgado por Peter Taylor, co-director do Globalization and World Cities Study Group and Network - GaWC. Taylor é um geógrafo da Universidade de Loughborough, no Reino Unido, que coordena anualmente as "classificações" de cidades "globais" ou em fase de globalização apresentadas pelo GaWC.

Em termos europeus, a capital portuguesa ainda não conseguiu ultrapassar a fronteira que permite o acesso ao clube de ouro das 10 mais - a capital espanhola e a capital catalã conseguiram-no, bem como Praga (capital da República Checa) e Varsóvia (capital polaca).

As "estrelas" europeias emergentes para a década em curso continuam a contar com Barcelona no topo, a par de Helsínquia (capital da Finlândia), Budapeste (capital da Hungria), Copenhaga (capital da Dinamarca) e Tallin (capital da Estónia).

E as perspectivas para os próximos anos, também, não são optimistas em relação à possibilidade de Lisboa "saltar" para o pelotão da frente europeu, segundo o estudo agora divulgado pela Jones Lang LaSalle e a LaSalle Investment Management. Estas duas entidades, também sediadas em Inglaterra, têm divulgado uma avaliação das "cidades mundiais ganhadoras", destinada a chamar à atenção para as urbes emergentes no Planeta.

As "estrelas" europeias emergentes para a década em curso continuam a contar com Barcelona no topo, a par de Helsínquia (capital da Finlândia), Budapeste (capital da Hungria), Copenhaga (capital da Dinamarca) e Tallin (capital da Estónia). Em relação à década de 1991 a 2001, os estudos da LaSalle trouxeram para a ribalta Dublin, capital da Irlanda.

Diferença abissal com Madrid

A comparação internacional com o resto da Península Ibérica e com os três principais países da adesão à União Europeia em 2004 revela com clareza as principais diferenças relativas no posicionamento estratégico de Lisboa. A capital portuguesa, apesar da Expo 98, continua atrás em todos os indicadores de "globalização".

As distâncias em relação a Madrid são abissais - a capital espanhola está em 11º lugar entre as 100 cidades "globais" ou em "globalização" no mundo e em 4º lugar em termos europeus em diversos critérios ligados à rede das 100 firmas que fornecem os serviços avançados globais (financeiros, jurídicos, auditoria, consultoria, media, publicidade).

Lisboa está em desvantagem muito acentuada na área dos serviços financeiros globais em relação a Varsóvia, na área de media em relação a Barcelona e no papel geo-estratégico de "ponte" na comparação com Praga, que tem sabido explorar habilmente esse activo entre a Europa e a EuroAsia.

A diferença com as outras quatro cidades escolhidas para comparação tem, também, traços reveladores - Lisboa está em desvantagem muito acentuada na área dos serviços financeiros globais em relação a Varsóvia, na área de media em relação a Barcelona e no papel geo-estratégico de "ponte" na comparação com Praga, que tem sabido explorar habilmente esse activo entre a Europa e a EuroAsia.

Os estudos da LaSalle sobre Barcelona e Budapeste são esclarecedores sobre as "alavancas" estratégicas que estas cidades têm usado.

A capital catalã potenciou os Jogos Olímpicos de 1992 de um modo notável, o que lhe permitiu desenvolver uma marca mundial e um marketing territorial muito forte. Ocupou nos últimos anos o segundo lugar depois de Londres em número de grandes projectos de investimento directo estrangeiro em cidades da Europa. Segundo a Healey & Baker, Barcelona conseguiu entrar no clube dos 10 mais na área de localização para negócios de "e-business", de logística, de design e de software, a par da sua imagem também muito forte em termos do sector da saúde, gráfico e cultural.

Budapeste, por seu lado, tem jogado a cartada da sociedade do conhecimento. A capital húngara é considerada a melhor localização para Investigação & Desenvolvimento no Leste, beneficiando da imagem da Hungria como 5º país europeu mais bem colocado para ter sucesso nas actividades baseadas no conhecimento, segundo um estudo recente do Financial Times.

Funções transnacionais

Peter Taylor não descarta Lisboa da corrida global. «Para aumentar a sua importância global, para ir além dos constrangimentos colocados pela posição da economia portuguesa, Lisboa tem de desenvolver as funções transnacionais, como o fez por exemplo São Paulo», refere-nos o perito em globalização urbana.

E a capital portuguesa tem historicamente uma posição de "ponte" que deveria ser explorada pro-activamente, refere o especialista. Exemplos como as estratégias de "ponte" desenvolvidas por Hong Kong e Singapura na região da Ásia/Pacífico e de Miami (como placa dos EUA para a América Latina)são hoje casos de estudo. Madrid tem procurado afirmar-se como "ponte" para a América Latina.

Para Jeremy Kelly, da Jones Lang LaSalle, Lisboa parece não ter potenciado os investimentos e eventos da Expo 98 como Barcelona fez com os Jogos Olímpicos de 1992 e tem sofrido a perca de peso na localização ibérica por parte de centros de decisão de negócios internacionais (que têm optado por Madrid). Mas Kelly encontra como "pontos fortes" de Lisboa a sua localização estratégica no Atlântico em direcção a vários espaços do Planeta, a sua tradição "mercantil" aberta ao mundo, a atracção turística, e os custos baixos do mercado de trabalho.

POSIÇÕES COMPARADAS NA EUROPA E NO MUNDO
 Cidades  Globalização  Finanças  Media  Posição mundial  "Ponte" (*) 
 Lisboa11ª21ª16ª42ª26ª
 Madrid11ª25ª
 Barcelona19ª32ª24ª
 Praga16ª12ª29ª
 Budapeste11ª17ª14ª45ª-
 Varsóvia10ª15ª40ª23ª
 Nota: (*) Papel de "ponte" na Europa entre espaços geo-económicos e geo-políticos

 TOP 5 DAS CIDADES GLOBAIS NA EUROPA 
 Cidades  Globalização  Finanças  Media  I&D 
 Londres
 Paris
 Milão
 Madrid-
 Amsterdão
 Frankfurt-

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