O que nos disse Peter Drucker


A dificil arte de se sentar em três cadeiras

Fomos ao «pai» da gestão, para tentar colocar os pontos nos ii. Mas o problema não é fácil de resolver. Sentar em três candeiras é o ideal, mas parece ser dificil na prática, constata Drucker, a partir da sua casa em Claremont, na Califórnia.

EXPRESSO -- Há hoje uma grande tentação em contrapôr a prática da melhoria contínua, em que os japoneses foram exímios nos anos 70 e 80 e que provocou um verdadeiro «choque» entre os ocidentais, ao renascimento do espírito de inovação permanente tão ao gosto das empresas de Silicon Valley, que dão, de novo, cartas, na actual vaga da revolução da informação. Os trabalhos recentes de Gary Hamel e de John Kao parecem aconselhar descartar a prática do «kaizen» (melhoria contínua) e do «benchmarking» (emulação competitiva) como solução principal. Há lugar para as duas atitudes ou temos de efectivamente deitar fora uma delas?

PETER DRUCKER - A meu ver, qualquer empresa hoje em dia tem de aprender a praticar, em simultâneo, quer a melhoria - seja através do «kaizen», seja do «benchmarking» -, quer a pura e simples extensão - ou seja construir mais a partir do existente -, quer a inovação. Contudo, eu não conheço, até hoje, uma única empresa que consiga fazer as três coisas. As melhores empresas japonesas sabem fazer o «kaizen» e a extensão muito bem, mas são fracas em inovação, como se sabe. Algumas das melhores empresas americanas são boas em inovação, como estamos assistir, mas ainda muito pobres em termos de melhoria contínua, e quanto à extensão são completamente inaptas, se quer que lhe diga.