Globalização menos lucrativa

Mais uma conclusão chocante - a internacionalização deu menos margem operacional do que o mercado doméstico de origem da multinacional na década de 1990 a 2001

Jorge Nascimento Rodrigues, editor de janelanaweb.com, Março 2003

Referência bibliográfica
«A Poor Global Showing», Michael Gestrin, em Harvard Business Review, Novembro 2003, referido em artigo de Pankaj Ghemawat, em «The Forgotten Strategy»

Na última década, as grandes empresas mundiais da lista da Fortune 500 tiveram margens operacionais mais baixas no estrangeiro do que nos países de origem. Aparentemente, a globalização não é o paraíso, mesmo em período de vaga de crescimento, como foi o de meados dos anos 90 até final do século. A conclusão chocante foi obtida num estudo dirigido por Michael Gestrin, especialista da OCDE em Paris e responsável por um designado "Global Performance Index" publicado pelo Templeton College, da Universidade de Oxford, em Inglaterra.

Analisando 147 das 500 maiores, para as quais havia dados completos comparáveis, Gestrin verificou que, entre 1990 e 2001, as referidas margens foram consistentemente mais baixas nos mercados de destino das estratégias de internacionalização do que nos mercados domésticos. E, em período de crise, as margens caíram mais nos mercados de destino da internacionalização do que nos redutos domésticos.

Entre 1990 e 2001, as referidas margens foram consistentemente mais baixas nos mercados de destino das estratégias de internacionalização do que nos mercados domésticos. E, em período de crise, as margens caíram mais nos mercados de destino da internacionalização do que nos redutos domésticos.

A primeira reacção epidérmica levaria à conclusão de que seria preferível, em termos de retorno nas vendas, focalizar no mercado doméstico. A crítica à diversificação por expansão geográfica teria, assim, razão de ser. Os críticos alegam que, em média, a internacionalização prejudica a performance económica dos grupos em vez de a melhorar. A ficção de que a internacionalização acrescentaria "automaticamente" valor seria, assim, posta a nu.

Contudo, Michael Gestrin alerta que "a lição mais sensível" da década é outra: os grupos internacionais tendem a assumir que, pelo facto, de serem rentáveis em casa, o serão necessariamente no estrangeiro, e tendem a "estender" as estratégias e tácticas de sucesso caseiro, mesmo quando se esforçam por as "localizar" ou "aculturar" ao novo mercado. O que os números mostram é que as estratégias de internacionalização mais comuns não têm sido isentas de erros - não que a internacionalização seja um erro, alega Gestrin.

Trata-se de mudar na cabeça dos decisores o paradigma da internacionalização encarada como "expansão" do modelo de sucesso doméstico.

Um dos segredos na internacionalização é valorizar as diferenças, a originalidade local dos novos mercados - e não "localizar" ou "adaptar" culturas exportadas tentando a criação de "híbridos" com vista a alcançar economias de escala global, como o refere o professor Pankaj Ghemawat, da Harvard Business School, nos Estados Unidos, num estudo recente publicado na revista Harvard Business Review ("The forgotten Strategy", edição de Novembro de 2003). Trata-se de mudar na cabeça dos decisores o paradigma da internacionalização encarada como "expansão" do modelo de sucesso doméstico.

Refira-se que esta é a segunda conclusão chocante que as equipas de investigação económica de Templeton dão à luz: a primeira foi a revelação por um estudo dirigido por Alan Rugman de que só existem 9 multinacionais, de acordo com um critério rigoroso, entre as 500 maiores empresas do mundo, conforme divulgámos.

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