Gestão Económica de Sobras


No aviamento de um armazém, sobretudo, nos casos do comércio por grosso ou de retalho, ocorre frequentemente a situação em que uma peça de determinado material sob a forma de bobina (por ex.: cabo eléctrico, tubo flexível, mangueira, corda, fio, tecido, papel, fita, etc.) ou sob a forma de varão, barra, tubo rígido, perfis, etc., vai sendo cortada em diferentes compri-mentos para satisfazer encomendas, até atingir comprimentos curtos que se tornam progressi-vamente mais difíceis de vender.

Chegada esta altura, coloca-se a seguinte dúvida: (i) vender imediatamente para uma utiliza-ção alternativa (por exemplo, sucata), realizando um valor de dinheiro certo, ou (ii) aguardar, na expectativa de realizar um valor superior àquele, todavia, incerto ?

Existe concerteza uma quantidade limite mínima, correspondente a uma situação de equilíbrio ou de indiferença económica, a qual, uma vez atingida, torna a decisão de venda para uma utilização alternativa mais vantajosa.

Esta quantidade óptima económica pode ser deduzida recorrendo a um algoritmo de cálculo que simula o futuro próximo a partir da seguinte condição: OVM =< OVA. Em que: OVM representa a oportunidade actualizada de encaixe das vendas para o mercado - potencialmente acumuláveis durante o futuro próximo (até as vendas se reduzirem a zero) - e OVA representa a oportunidade actualizada de encaixe de venda em cada momento para uma utilização alter-nativa.

Vejamos um exemplo de aplicação do algoritmo.

Uma empresa comercializa aços de liga para a indústria metalomecânica sob a forma de va-rões cortados em diferentes comprimentos. Estes, quando novos, apresentam um certo com-primento standard. Quando um varão atinge um certo limite mínimo de comprimento, come-ça a ser progressivamente mais difícil satisfazer encomendas e passa a ser classificado como "ponta", sendo difícil julgar até quando deverá ser conservada antes de se transformar num mono.

Suponhamos a existência de uma certa ponta com 200 Kg. Este material é vendido normal-mente a 3.000$00/Kg. O seu preço de venda como sucata é de 1.000$00/Kg. Considerando um custo de oportunidade do capital imobilizado em stock igual a 15% ano e um custo de ar-mazenagem de 20% ano, qual será o peso limite da ponta a partir do qual compensa vender para sucata ?

Em primeiro lugar, é necessário consultar o histórico de vendas e caracterizá-las em frequência. Em segundo lugar, é necessário caracterizar, também em frequência, as quantidades avia-das de cada encomenda.

Da análise dos dois últimos meses - período considerado representativo -, resultou o seguinte quadro:

Quadro


Deste quadro podemos concluir que a quantidade média de vendas foi de 24,7 Kg/semana e que a quantidade média aviada foi de 87,1 Kg/aviamento.

Estas distribuições de frequências podem ser ajustadas manualmente se se preverem quaisquer alterações futuras. Suponhamos que não se prevêem quaisquer alterações. Em consequência, aqueles padrões - de vendas e de aviamentos - repetir-se-ão no futuro próximo.

Após corrermos um algoritmo de simulação, obtemos como resultado uma quantidade óptima económica igual a 16 Kg.

Com efeito, para os actuais 200 Kg, verifica-se que: OVM = 530 contos e OVA = 200 contos. Como 530 > 200 contos ou, de outra forma, 200 > 16 Kg, a ponta deve ser mantida, pois a oportunidade de venda para o mercado é ainda superior à oportunidade de venda imediata como sucata. Complementarmente, o simulador permite-nos também saber que esse momento chegará dentro de aproximadamente 67 semanas.

Em conclusão:
O algoritmo de cálculo fornece a quantidade limite de uma ponta a partir da qual se torna mais económico vender para uma utilização alternativa ou saldar por um preço mais baixo. Aquela quantidade, comparada com o saldo existente sempre que se verifica uma transacção, propor-ciona um meio simples e eficaz de apoio à decisão.

Esta análise pode implementar-se facilmente em computador, desencadeando automatica-mente um aviso logo que aquele limite é atingido. As variáveis nas quais aquela decisão se baseia, terão, evidentemente, de ser periodicamente actualizadas. Todas elas poderão sê-lo automaticamente se forem desenvolvidas as rotinas apropriadas.

Críticas e sugestões: produtec@mail.telepac.pt