GALERIA DOS NOTÁVEIS DE 1996


O revolucionário

GARY HAMEL tem um pé na London Business School e outro na California, em pleno Silicon Valley, onde dirige a empresa de consultoria Strategos. Com o artigo deste ano na revista Harvard Business Review consagrou a ideia de que começa a render ser-se "subversivo", ou seja desafiar e subverter as regras do actual jogo. Para os ouvidos delicados diz ainda outras barbaridades: qualquer um pode ser activista da estratégia, e o processo tem de ser democrático, ou seja todas as sensibilidades da empresa devem ser mobilizadas para a formulação estratégica. O artigo ganharia o primeiro prémio para o melhor artigo publicado na Harvard Business Review.

O senhor criatividade

FOI o cognome que a revista The Economist deu a John Kao, um prof. de Harvard que se mudou este ano para Stanford, na California. É um homem dos sete instrumentos: dos livros aos filmes e ao jazz. Quer ir mais além do que Peter Drucker na abordagem da actual vantagem na sociedade. Já não chega o saber. O saber é importante, mas a criatividade é ainda mais. O saber tende a transformar-se numa mercadoria, com as redes. A diferença está no que se sabe cozinhar com ele.

O politicamente incorrecto

PAUL KRUGMAN lançou um livro muito oportuno, um pouco antes da campanha presidencial de Bill Clinton. É uma recolha de textos anteriores, mas o momento e o título foram uma arma de arremesso. Etiquetou-o "Pop Internationalism" e é uma critica muito dura aos arautos da guerra de competitividade entre nações e do uso de políticas de comércio internacional estratégicas, que pululam em volta do presidente. Um dos alvos é Lester Thurow, o «papa» dos «pop-internacionalistas».

O amigo americano

PRECISAMENTE Lester Thurow é, entre os intelectuais norte-americanos, o que mais admira a Europa. Está, neste capítulo, a contra-corrente no seu país e, por isso, tem muitos admiradores nas academias europeias. Em The Future of Capitalism, lançado este ano pela William Morrow, retoca algumas frases do seu anterior livro de 1992 que ficou conhecido pelo seu título sensacionalista: Head to head -The coming batle among America, Japan and Europa. Vê a Europa assim: "Não digo que ela vai ganhar, mas que tem a melhor posição estratégica no tabuleiro geo-económico, lá isso tem".