Logística na fachada atlântica peninsular

O contra-ataque ao Mediterrâneo

Colóquio em Monção organizado pela Agência para o Desenvolvimento do Investimento no Norte de Portugal e moderado por Jorge Nascimento Rodrigues

Participação especial do Terminal Multimodal do Vale do Tejo - TVT

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É urgente reequilibrar o peso geo-estratégico da costa mediterrânea em termos de logística na Península Ibérica. O desafio consiste em valorizar a fachada atlântica galaico-portuguesa, dotando-a de infra-estruturas logísticas de nível europeu capazes de transformar os principais portos atlânticos ibéricos em atractivas placas giratórias do comércio internacional de e para a Europa. Neste quadro assumem relevância estratégica os projectos de plataformas logísticas multimodais em curso de lançamento ou de inauguração, com destaque para a Plataforma galega de Salvatierra de Miño/As Neves (frente a Monção, no lado português), em fase de criação, e para o Terminal Multimodal do Vale do Tejo, perto de Torres Novas, no centro de Portugal, que será oficialmente aberto a 24 de Novembro.

Este xadrez foi pela primeira vez discutido publicamente numa mesa redonda entre entidades empresariais e institucionais dos dois lados da raia galaico-minhota, organizada pela Câmara de Monção e pela Agência para o Desenvolvimento do Investimento no Norte de Portugal.

Abertura do capital

Este encontro serviu para colocar na mesa «a centralidade da região transfronteiriça minhota e galega para o desafio da fachada atlântica», nas palavras de José Moreira, presidente da autarquia anfitriã. A compreensão estratégica deste papel transparece, desde logo, no projecto galego da plataforma logística de Salvatierra/As Neves.

«Não estamos a defender um projecto localista», referiu José Manuel Carrera, da Xunta de Galicia (Junta da Galiza, autoridade regional). «À medida que fomos gizando o projecto descobrimos prioridades estratégicas mais amplas do que as iniciais. Evoluímos do conceito simples de um porto seco de apoio ao porto de Vigo para uma plataforma logística do noroeste peninsular capaz de servir todo o tecido empresarial desta euroregião galaico-duriense», explica, por seu lado, Artur Conde, da direcção do Consórcio Zona Franca de Vigo, um dos proponentes do projecto galego.

Por estas razões, a plataforma logística ficará situada mesmo junto à fronteira raiana - a 15 minutos de uma auto-estrada (Autovia das Rias Bajas), a 20 minutos do porto de Vigo e a menos de uma hora do aeroporto internacional do Porto, contando com uma área de 400 hectares e com um investimento global de 20 mil milhões de pesetas (120 mil milhões de euros).

Em virtude da importância transnacional deste projecto, a sociedade anónima a criar «está aberta a entidades públicas e operadores privados portugueses, e em particular do Norte de Portugal», sublinhou Luís Lara, director da Autoridade Portuária de Vigo, que acrescentou já terem decorrido «contactos com a Autoridade Portuária de Leixões». Refira-se que os apoios comunitários a este tipo de projectos poderão ser ampliados se estiver envolvido mais do que um país-membro. Isabel Escudeiro, da Comissão de Coordenação da Região Norte, garantiu «todo o seu empenho em que os interesses portugueses venham a convergir para este projecto». Por seu lado, Bouça de Morais, da Associação Industrial do Minho, acrescentou que «o Minho representa 20% das exportações portuguesas precisando vitalmente de estruturas logísticas deste tipo», saudando «a visão estratégica dos galegos».

Articulação a Sines

A articulação deste projecto galego com a aposta estratégica portuguesa em Sines (recorde-se a plataforma de 'transhipment' a operar neste porto do sul de Portugal) foi ressaltada por Carlos Correia, o fundador do Terminal Multimodal do Vale do Tejo (TVT). «Sines tem todo o interesse em estar interligado com um sistema de portos secos e plataformas logísticas mais a norte, nomeadamente com o projecto de Vigo e com o terminal de Torres Novas», referiu o responsável do TVT, que incentivou «o governo português a dar muita atenção ao projecto de Vigo». Abertura ao projecto foi manifestada pelo responsável do Gabinete para o Desenvolvimento do Sistema Logístico Nacional (GabLogis) do Ministério do Equipamento Social português, André Cristovão Henriques, que referiu que, dentro em breve, vai ser colocado a consulta pública o projecto de Rede Nacional de Plataformas Logísticas portuguesas.

Carlos Correia, que também é membro da direcção da Europlataformas, a associação europeia de mais de 60 terminais multimodais, referiu, ainda, a importância de uma acção concertada entre portugueses e galegos no sentido de criação de uma infra-estrutura logística comum na placa giratória que é Madrid. «A Catalunha já o fez, e por isso o Mediterrâneo tem conseguido 'desviar' uma boa parte do comércio internacional», concluiu.

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