Europa lidera na "externalização" de serviços
em 2004

Pela primeira vez, segundo o barómetro trimestral da consultora inglesa TPI, o Velho Continente subcontratou mais em tecnologias de informação e funções empresariais do que os Estados Unidos. A adjudicação globalizada envolvendo fornecedores em vários pontos do Planeta - o designado "off-shoring" - representa já 40% dos contratos realizados no mundo.

Jorge Nascimento Rodrigues, editor de janelanaweb.com, Fevereiro de 2005

Resumo do estudo na Web aqui

5 DESTAQUES
  • Europa ultrapassa EUA em número de grandes contratos de "outsourcing" de tecnologias de informação e serviços às empresas
  • A Alemanha atingiu o terceiro lugar mundial, depois dos EUA e Reino Unido, com um crescimento de 220% no recurso à "externalização" em TI e funções empresariais no último ano
  • As "Big Six" norte-americanas perderam quota para as quatro consultoras europeias emergentes
  • Os contratos de BPO (adjudicação a terceiros de funções empresariais) têm aumentado sustentadamente
  • A contratação globalizada de serviços (que se designa por "offshoring"), gerindo múltiplas localizações geográficas, já está presente em 40% dos contratos assinados. No caso da Europa esta opção é ainda mais acentuada - 45% dos contratos assinados
  • A Europa chegou em 2004 pela primeira vez à liderança na adjudicação de novos grandes contratos de "outsourcing" em tecnologias de informação (designado tecnicamente pelo acrónimo ITO, do inglês information technology outsourcing) e serviços às empresas (designado pelo acrónimo BPO, do inglês "business process outsourcing"). Finalmente, ultrapassou os Estados Unidos em número de contratos de "externalização" de serviços e em valor total contratado, segundo o último barómetro trimestral "Outsourcing Index Report" publicado pela Technology Partners International (TPI).

    A Europa representou no ano passado 48,3% do valor envolvido - uma subida de 7 pontos percentuais em relação a 2003 -, deixando os Estados Unidos nos 44% e a Ásia-Pacífico nos 7%. Segundo o TPI, uma consultora inglesa sediada em Berkshire e criada em 1989, esta tendência de afirmação da Europa como o principal "externalizador" mundial de serviços deverá continuar em 2005.

    Esta tendência de afirmação da Europa como o principal "externalizador" mundial de serviços deverá continuar em 2005.

    Por grandes contratos, o TPI entende as adjudicações superiores a 40 milhões de euros. Este mercado de "externalização" de tecnologias de informação e de funções empresariais valeu, em 2004, 58 mil milhões de euros, com a Europa adjudicando 28 mil milhões, mais do dobro do valor de há dois anos atrás. Na Europa, o país que mais adjudicou foi o Reino Unido (20% dos contratos), seguido da Alemanha (12,5%) - os dois países europeus que, no conjunto, retém 67% das contratação europeia. A Alemanha é, sem dúvida, o mais importante emergente neste negócio da "externalização" de serviços, com um crescimento de 220% em relação a 2003. Seguem-se no "top" europeu a Suíça e a Holanda.

    Big Six perdem quota

    O crescimento significativo das contratações por parte da Europa modificou, também, o elenco de protagonistas deste mercado. As seis consultoras norte-americanas - conhecidas por Big Six (IBM Global Services, CSC, EDS, Accenture, HP e ACS - viram a sua quota global descer de 71% em 2003 para 44% um ano depois. A quebra geográfica foi ainda mais acentuada na Europa, onde as Big Six caíram de 73% para 36% dos contratos. E, mesmo nos EUA, sentiram a quebra - de 87% para 65%. No entanto refira-se, individualmente, que a HP resistiu à queda e que a ACS aumentou inclusive a sua parte de mercado. As mais penalizadas são as outras quatro. Os "challengers" que provocaram esta mudança são europeus - CapGemini francesa, Siemens alemã, T-Systems alemã (do grupo Deutsche Telekom) e Xchanging inglesa.

    Os "challengers" que provocaram esta mudança são europeus - CapGemini francesa, Siemens alemã, T-Systems alemã (do grupo Deutsche Telekom) e Xchanging inglesa.

    A repartição da "externalização" continua a dar a fatia de leão aos contratos de tecnologias de informação, que representam 2/3 do valor adjudicado. No entanto, os contratos de BPO representam 1/3 e tenderão a subir em 2005, segundo o TPI. O BPO refere-se à contratação de serviços ligados às funções empresariais, como contabilidade e finanças, compras, gestão da relação com o cliente (CRM), recursos humanos, etc..

    O barómetro refere, ainda, um carácter cada vez mais globalizado destes processos de "externalização" de serviços e TI. A consultora inglesa designa esta tendência pelo acrónimo GSD - do inglês global service delivery, também conhecido por "offshoring" de serviços. Ou seja, a realização de contratos que envolvem serviços subcontratados em diferentes localizações geográficas no Planeta, com vista a garantir a contratação de competências onde as houver e um funcionamento do serviço 24 horas durante toda a semana. Em 2004, o GSD esteve presente em 40% dos contratos assinados mundialmente. No caso da Europa, a fatia foi ainda maior - 45%, um salto para mais do dobro em relação a 2003.

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