Um aspecto central da revolução do saber

William Halal com Jorge Nascimento Rodrigues


William Halal (halal@gwis2.circ.gwu.edu) comentou alguns aspectos do trabalho de investigação que tem desenvolvido em torno do conceito de «inteligência organizacional». Para ele, o central é a noção de «sistema». Por outro lado, sublinha que não se pode reduzir a mudança interna à implementação de intranets ou extranets, duas soluções técnicas hoje muito em voga.


Como é que lhe ocorreu esta ideia de definir a «inteligência organizacional»?


WILLIAM HALAL - Há bastante tempo que eu e os meus associados temos vindo a estudar o que se tem chamado a "revolução do saber". Recentemente decidimos centrar a nossa atenção no papel do que designámos por inteligência organizacional, que é a nosso ver um dos aspectos dessa revolução em curso. O que fizemos foi desenvolver um quadro conceptual para definir esse tipo de «inteligência», bem como os sistemas adequados para o medir e os métodos práticos.

E quanto a ferramentas precisamente para diagnóstico no terreno, qual é o ponto de situação?


W.H. - Como sabe, o nosso trabalho está ainda numa fase inicial. Continuamos a entrevistar gente, dos meios académicos e empresariais, para melhorar o nosso quadro conceptual e refinar os métodos. Por ora, ainda não temos ferramentas de medida para aplicação em empresas. Isso surgirá dentro de meses.

O «capital intelectual» foi um dos temas mais fortes do ano passado na literatura de gestão e a «organização que aprende» é já há alguns anos uma moda bem enraízada em muitas empresas de ponta. Qual é a relação com a «inteligência organizacional», ou no fundo estamos a falar sempre da mesma coisa, ainda que com etiquetas diferentes?


W.H. - Não, de modo algum. Conceitos como o «capital intelectual» e a «organização que aprende» são partes integrantes, subordinadas, da envolvente de que falamos - da inteligência organizacional.

Quando fala de inteligência organizacional refere-se sempre a sistemas inteligentes internos à empresa. Quer concretizar?


W.H. - A diferença entre uma organização inteligente e uma que o não é reside precisamente no carácter sistémico de que falamos. A organização convencional é, no fundo, uma colagem de tarefas, produtos, empregados, centros de lucro e processos. A organização inteligente é um sistema virado para a gestão do saber.

E serão as intranets e extranets hoje tão em foco o melhor canal onde devem correr esses sistemas inteligentes?


W.H. - Não só, nem necessariamente. A arquitectura são os cinco subsistemas que estudámos a nível da estrutura organizacional, da cultura interna, da relação entre os «stakeholders», dos activos de saber e dos processos estratégicos de decisão. É este conjunto que tem de funcionar de um modo que favoreça a tal inteligência organizacional.