Cidades Inteligentes: a nova "coqueluche"
do marketing urbano

Minúsculas urbes e grandes metrópoles têm ganho, desde 2001, a marca "inteligente". As premiadas de 2005 foram agora conhecidas e em Junho começa em Nova Iorque o campeonato para 2006.

Jorge Nascimento Rodrigues

"Cidades Inteligentes" é mais uma etiqueta internacional ao serviço do marketing territorial. Coube à World Teleport Association (WTA) norte-americana promover a marca desde 1999, quando a cidade-Estado de Singapura foi considerada "a comunidade inteligente do ano". A ilha do mitológico leão na ponta extrema da Malásia voltaria a ganhar o título em 2001, 2002 e, agora, em 2005. Coube a Honolulu, no Hawai, divulgar, este ano, as sete cidades mais "inteligentes" do mundo, um "ranking" organizado pela Intelligent Community.org, da WTA, desde 2001.

A diversidade dos premiados reflecte bem a geometria variável do conceito - desde Piraí, uma cidade de menos de 25 mil habitantes perto do Rio de Janeiro, e Issy-Les-Moulineaux, nos arredores de Paris, até médias cidades como Mitaka, perto de Tóquio, e Sunderland, em Inglaterra, acabando em metrópoles de vários milhões de habitantes, como Singapura (Cingapura), Toronto e Tianjin (perto de Beijing). Ao todo, desde 2001, já foram distinguidas 22 cidades, com algumas a repetirem o prémio, como Sunderland, Singapura e La Grange, perto de Atlanta, nos Estados Unidos. Como nos explicou Louis Zacharilla, um dos directores da Intelligent Community, «nós olhamos do mesmo modo para um grande comunidade urbana como para uma muito pequena». Aliás, sublinha, «no mundo, a maioria das comunidades são pequenas, e são essas até que mais necessitam de contar as suas histórias de sucesso na Era Digital».

Pequeno é excelente

Piraí é precisamente um destes casos nas bordas do Rio de Janeiro que chegou às páginas da revista Newsweek a 7 de Junho de 2004 como modelo de cidade digital numa região bem pobre, outrora cafeeira. Foi, também, uma das estrelas do livro "e-gov.br: A Próxima Revolução Brasileira", editado, no ano passado, pela Pearson do Brasil.

Leituras recomendadas
Piraí | Newsweek | Livro e-Gov.br

O projecto Piraí Digital granjeou prestígio internacional nos últimos quatro anos - Prémio Gestão Pública e Cidadania da Fundação Ford e Fundação Getúlio Vargas em 2001; caso apresentado na 1ª fase da Cúpula Mundial da Sociedade da Informação (CMSI) em 2003; vencedora da categoria de "cidade de pequeno porte" no Prémio Cidades Digitais Latino-americanas em 2004, e agora o título de cidade inteligente. O caso voltará a ser apresentado na 2ª fase da CMSI em Tunes, em Novembro próximo.

«Pequeno pode ser excelente» é uma das mensagens que Zacharilla deixa, sublinhando que os critérios são aplicáveis a qualquer comunidade urbana - aliás umas das primeiras premiadas, recorda-nos, foi o pequeno burgo medieval de 5500 habitantes de Ennis, na Irlanda, que se tornou num "test bed" (local de testes) de serviços interactivos.

Para ser inteligente

Há factores essenciais para entrar nesta corrida, diz Louis Zacharilla, mas «não é necessário ser excelente em todos - basta em um deles». Contudo ter uma pitada de cada é fundamental. Basta olhar aos cinco referidos: lançar uma infra-estrutura de banda larga; atrair e formar trabalhadores do conhecimento; apostar na inovação; iniciar a democracia digital; e desenvolver marketing territorial. O traço comum é, assim, sintetizado pelo director do programa: «Não é uma questão de tecnologia em si, mas de criação de uma cultura de uso das tecnologias na Era Digital».

Um estudo mais desenvolvido, levado a cabo pelo sueco Leif Edvinsson, encontrou, nas diferentes experiências premiadas e entre os candidatos nestes últimos anos, dez pontos fortes (ver quadro) que insistem em temas urbanos relevantes, como a boa posição geo-política (recorde-se a localização, por exemplo, de Singapura), cosmopolitismo, criatividade cultural, qualidade de vida, gestão logística, "clusters" de inovação, etc.

Para 2006, os organizadores vão privilegiar o tema da "colaboração". Os interessados no campeonato poderão reunir-se com a Intelligent Community entre 13 e 14 de Junho de 2005 em Nova Iorque numa conferência internacional sob o tema "Construir a economia da banda larga".

Quadro I
10 pontos fortes
  • Boa posição geo-política
  • Pólo de atracção de trabalhadores do conhecimento e de criativos
  • e-Mobilidade
  • Clusters de inovação
  • Gestão logística
  • Qualidade de Vida
  • Cidadãos cosmopolitas
  • Vida cultural
  • Criação de Riqueza
  • Segurança

  • Quadro II
    Critérios de avaliação do concurso
  • Atracção de novos negócios
  • Estímulo à formação interna de novos negócios
  • Formação para competências da sociedade do conhecimento entre os
    cidadãos
  • Criação de novos empregos
  • Investimento em infra-estruturas de e-mobilidade
  • Melhorias no fornecimento dos serviços públicos
  • Inovação em procedimentos governamentais ou processos de negócio

  • Quadro III
    Factores críticos de sucesso em que os concorrentes deverão apostar
  • Infra-estrutura de banda larga
  • Mão de obra baseada em trabalhadores do conhecimento
  • Inovação
  • Democracia digital
  • Marketing territorial

  • Quadro IV
    TOP 7 de 2005
  • Issy-Les-Moulineaux (arredores de Paris, França, 63 mil habitantes, líder da rede Global Cities Dialogue)
  • Piraí (perto do Rio de Janeiro, Brasil, 23 mil habitantes, modelo de pequena cidade digital)
  • Mitaka (arredores de Tóquio, Japão, 173 mil habitantes, cidade "test-bed" de novas tecnologias)
  • Singapura (4 milhões de habitantes, premiada pela 3ª vez como "ilha inteligente")
  • Sunderland (Reino Unido, 280 mil habitantes, premiada pela 4ª vez como modelo de cidade do conhecimento)
  • Tianjin (perto de Beijing, China, 11 milhões de habitantes, rede de alta velocidade incluindo a parte rural)
  • Toronto (Canadá, 5,2 milhões de habitantes, programa e-City)
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