A Hora da BIO

A oportunidade de uma «bio-região» ou de «bio-regiões» em Portugal

Relatório do Inteli sugere criação de Agencia de Promoção da Biotecnologia, aposta urgente no biodísel, apoio à criação de bioregiões e parcerias estratégicas com Brasil e Moçambique

Jorge Nascimento Rodrigues, editor de Janelanaweb.com, Outubro de 2005

A "nova" biotecnologia - para se distinguir da tradicional desde sempre realizada no agro-alimentar - pode ser uma via de especialização internacional em Portugal se a massa crítica já existente se estruturar em "biodistritos" ou em uma "bioregião" interligada e se a diplomacia económica ajudar a "exploração" rápida de novas oportunidades, nomeadamente no Brasil e Moçambique. Em particular em relação ao Brasil que tem um sector biotecnológico a nível académico e empresarial com pujança crescente. As conclusões são do relatório "Biotech Portugal 2005" que vai ser apresentado na próxima semana pelo Inteli, uma agência de "intelligence" económico, responsável, nos últimos anos, por outros estudos estratégicos sobre o sector automóvel e a aeronáutica.

Oportunidades
  • Estratégia de proximidade com o Brasil (particularmente com o "cluster" de Belo Horizonte e na área dos bioconbustíveis) e Moçambique (matérias primas para bicombustíveis)
  • Biotecnologia verde: biocombustíveis, com particular destaque para o biodísel e etanol, e protecção ambiental
  • Biotecnologia branca (industrial) aplicável horizontalmente a vários sectores "tradicionais", com particular atenção aos biopolímeros
  • "Cluster" biomédico: expansão do segmento dos biomarcadores
  • Produtos bio-funcionais a partir de leite e derivados, na Região Norte
  • Subcontratação de I&D e parcerias estratégicas com "biostart-ups" para expansão do "pipeline" de produtos por parte das empresas farmacêuticas
  • O estudo recomenda a criação de uma Agência de Promoção da Biotecnologia e reforça a ideia que o nosso país tem um tecido de capital intelectual no sector de alto nível internacional. A começar pela qualidade das 30 empresas espalhadas no eixo Lisboa/Oeiras, Porto/Braga/Guimarães e Coimbra. Apesar de ainda pequeno em número, o sector vive um período de emergência com 85% das empresas criadas entre 2001 e 2004, sendo em 58% consideradas "start-ups" de base científica, fundadas por jovens doutorados. Também é sublinhada a disponibilidade de capital humano para uma estratégia de crescimento: "Contamos com uma oferta de graduados e pós-graduados com competências específicas de elevada qualidade na área das Ciências da Vida, com disponibilidade imediata para entrar no mercado de trabalho e com um custo relativamente baixo - do ponto de vista comparativo com outros países da União Europeia e dos Estados Unidos", sublinha Teresa Cunha, doutorada em biotecnologia, que coordenou o estudo. A doença infantil deste sector emergente advém de resultar de pequenos investidores e do ainda baixo financiamento por parte de operadores de capitais de risco especializados.

    A doença infantil deste sector emergente advém de resultar de pequenos investidores e do ainda baixo financiamento por parte de operadores de capitais de risco especializados.

    Entre as novas oportunidades de mercado, o relatório salienta a área dos biocombustíveis, quer no campo do etanol (alternativa à gasolina ou para mistura) como do biodísel (substituto do gasóleo), em que países de "expressão portuguesa" como o Brasil (tradição da produção de etanol a partir da cana de açúcar) e Moçambique (soja para o biodísel) poderão ser parceiros estratégicos, se o movimento de posicionamento for rápido face "à presença no terreno da Espanha, Inglaterra e Holanda". O arranque do projecto de produção de biodísel da Iberol (empresa do grupo Nutasa) em Alhandra no final do ano poderá significar 2% das necessidades em gasóleo do país.

    As novas áreas de matérias-primas agrícolas alternativas à "commodity política" do petróleo, poderão ser um dos vectores de crescimento do que o estudo designa por "biotecnologia verde". Por outro lado, uma política municipal de maior investimento e fiscalização na protecção ambiental dinamizaria, também, este ramo "verde".

    A biotecnologia industrial (a que o relatório apelida de "biotecnologia branca"), em que só quatro empresas apostam, em virtude de ser uma tecnologia horizontal, contém oportunidades de aplicação em sectores industriais em profunda reestruturação como os têxteis, química, embalagem, produtos bio-médicos e sanitários e componentes para automóvel, a partir dos bio-polímeros por exemplo.

    As alianças nacionais entre farmacêuticas e "biostart-ups" é outro dos caminhos - muito praticado nos EUA e nos "Bio Valleys" e "Medicon Valleys" europeus - recomendado, particularmente no segmento dos biomarcadores (diagnóstico e monitorização de doenças) e da investigação por encomenda ou de ponta. "A interacção entre as bioempresas e as farmacêuticas é praticamente inexistente em Portugal", refere o estudo. A iniciativa do Infarmed para a internacionalização das farmacêuticas portuguesas poderá alterar esta situação de costas viradas.

    Também a biotecnologia industrial (a que o relatório apelida de "biotecnologia branca"), em que só quatro empresas apostam, em virtude de ser uma tecnologia horizontal, contém oportunidades de aplicação em sectores industriais em profunda reestruturação como os têxteis, química, embalagem, produtos bio-médicos e sanitários e componentes para automóvel, a partir dos bio-polímeros por exemplo. Este é o ramo da biotecnologia "que, a longo prazo, terá um maior crescimento".

    Responsável pelo estudo: Teresa Cunha (teresa.c@inteli.pt)
    Sítio do Inteli: www.inteli.pt

    Biotech Lusa em factos
  • 30 empresas com actividade principal na Nova Biotecnologia
  • 85% surgiram entre 2001 e 2004
  • 58% são empresas criadas por doutorados, revelando-se uma boa cultura de empreendedorismo
  • 50% exportam
  • 7 empresas já estão localizadas internacionalmente (nos Estados Unidos, Brasil e Macau)
  • 64% surgiram ligadas a incubadoras
  • Excelente oferta de graduados e pós-graduados na área para o mercado de contratação
  • Reconhecimento internacional da área académica de Ciências da Vida
  • Inexistência de interacção no mercado nacional entre as empresas biotecnológicas e as farmacêuticas
  • Iberol investe na produção de 100 mil toneladas de biodísel, 2% das necessidades em gasóleo
  • EDIA (Empresa de Desenvolvimento de Infra-estruturas de Alqueva) identificou uma área com a capacidade de produção de 3% do consumo nacional de gasolina
  • Falta de serviços especializados para as empresas do sector
  • Página Anterior
    Canal Temático
    Topo da Página
    Página Principal