Tão diferentes, mas tão iguais


Referências do século da gestão
Peter Drucker foi o criador da doutrina do management e Tom Peters popularizou-a sobretudo junto dos gestores e quadros intermédios, transformando os livros de gestão em campiões de vendas

«Outsiders» do mundo académico
Drucker nunca aceitou dar aulas na «catedral» teórica da gestão - a Harvard Business School, de Boston. A Peters a «nomenklatura» académica nunca lhe concedeu o estatuto de teórico

Heréticos malditos
Primeiro livro sobre gestão que Drucker escreveu, onde revelava o conceito de grande empresa (Concept of Corporation), caíu muito mal no próprio meio que lhe serviu de modelo (a General Motors de Alfred Sloan) e foi considerado por muitos capitãse da indústria da altura um «livro vermelho». Um título mais recente como Sociedade Pós-Capitalista ainda provoca azia a muitos. Tom, por seu lado, deu razão a uma vaga de heréticos que, quase às escondidas, inovavam no mundo fabril desde os anos 40, e trouxe as suas ideias para a praça pública envoltas numa etiqueta «sexy», a Excelência. A partir daí nunca mais deixou de provocar

Profissionais de tendências
A Drucker se devem, pelo menos, três revelações - a da gestão como doutrina, a emergência de um novo tipo de sociedade, a pós-capitalista, e a importância das organizações sem fins lucrativos. Peters, por sua vez, é considerado uma verdadeira "antena de tendências" de tudo o que de mais importante se afirmou a partir dos anos 80. Os maldizentes julgam ofendê-lo desprezando-o como "repórter" e profissional do "corta e cola"

Evangelistas
Cada um à sua maneira. Em Drucker, as palavras sobre gestão valem ouro e uma élite mundial tem sido formada por ele, ano após ano, na Claremont Graduate School. Tom Peters provoca com a escrita e arrasta fiéis em palco, criando um novo tipo de formação, que criou a corrida aos gurus

«Buzzwords» que vieram para ficar
Drucker deixou algumas que nunca mais se esqueceram - "gestão por objectivos (MBO)", "trabalhador do saber", "reprivatização", e "sociedade pós-capitalista", por exemplo. Peters lançou a "excelência" e antecipou a "gestão da mudança". Os analistas consideram todas elas mais duradouras e sedutoras que a "competitividade" de Michael Porter