O NOVO CAPITALISMO FINANCEIRO

segundo Kevin Kelly

Kevin Kelly confessa que não leu a obra "A Revolução dos Fundos de Pensões" de Peter Drucker, o pai da gestão, onde este antecipava a emergência de um novo poder financeiro na cena americana e depois internacional. É o capital de milhões de cidadãos comuns em agregado. É a finança dos simples em rede, da multidão anónima. É o «capitalismo de enxame».

Mas presta um enorme tributo ao velho guru da gestão. «Grande parte das minhas ideias são refinamentos do que Drucker disse. Agora é óbvio que o que ele escreveu sobre a informação e o conhecimento há muitos anos atrás estava correcto. O que eu lhe juntei foi esta reflexão sobre as redes», comenta-nos o autor de New Rules for the New Economy, cuja publicação aqui antecipamos.

É provavelmente uma das partes do novo livro de Kelly mais interessante para os pragmáticos da economia. Ele retoma o conceito político, hoje estafado, do 'capitalismo popular', mas dá-lhe um novo fundamento à luz de uma grande mutação que gerou a proliferação do accionariato em vez do aforro, o crescimento do capital de risco em vez do crédito clássico, e a globalização dos fundos em busca dos mercados financeiros emergentes em vez do tradicional investimento estrangeiro.

«As fontes de capital estavam no tempo da Era Industrial nas mãos de uns quantos bancos e de uns quantos capitalistas 'individuais'. Agora estão fragmentadas em milhões de redes de contas bancárias, fundos de pensões, fundos de investimento, participações no capital das próprias empresas em que se trabalha, etc.. A tecnologia actual acelerou a migração do crédito para o investimento e da poupança para as aplicações. Com cada vez mais conhecimento distribuído e comunicações por todo o lado, os gestores de dinheiro perceberam que a parceria - ou seja o investimento em que o investidor partilha o risco - dá mais no longo prazo do que o crédito», explica o editor executivo da revista «Wired».

Mas Kelly estende este universo ao mundo da Web. «A Internet mais cedo do que Wall Street julga criará um mercado financeiro que lhe permitirá no seu computador levar uma empresa à bolsa e solicitar directamente os investimentos de milhões de individuos e instituições por todo o mundo», conclui.