A velha nova economia

Hal Varian e Carl Shapiro acham que os velhos princípios da ciência económica estão vivos e recomendam-se na nova economia

«Não é preciso uma nova teoria económica para entender o que se passa na nova economia. Muitas das características desta economia das redes emergente de que fala Kevin Kelly por exemplo, já existiam na velha economia industrial. Basta recuar cem anos e perceber o que se passava então no telefone, ou nos transportes, ou nos correios, áreas em que as economias de rede estavam já em gestação», diz-nos Hal Varian.

O livro que acaba de publicar com Carl Shapiro surgiu precisamente para 'atacar' estes exageros. «Começámos a ver muito fumo sobre a morte da velha teoria económica. Pensámos que isso seria idiota deixar alimentar. Por isso decidimos escrever Information Rules para fazer passar esta nossa mensagem - os velhos princípios económicos são a mais poderosa arma para entender o que hoje se passa», refere-nos, por seu lado, Shapiro. Ambos alertam para o perigo de muitos produtores de informação, enebriados pelos títulos de capa das revistas e dos jornais, «cometerem o erro de julgar que os seus produtos e serviços estariam fora das leis económicos que governam há mais de um século a outra indústria dos bens tangíveis».

De raro a trivial

No entanto, aceitam que «algo mudou». Diz Varian: «Muitas das leis hoje mais visíveis são, por vezes, uma versão extrema do que se observava na economia industrial. Sobretudo a ideia a reter é que o que era então raro agora é trivial na nova economia. Certos aspectos da segmentação, da diferenciação e do posicionamento estratégico que eram pouco frequentes na economia industrial passaram a estar na ordem do dia hoje».

Em Information Rules, os dois autores trabalham desenvolvidamente duas 'diferenças' com a economia industrial.

A primeira é a «ampliação» do papel das economias de escala, que a partir do lado da oferta (o que é típico da economia de produção industrial) passaram a invadir também a procura. Estas 'economias de escala pelo lado da procura' estão intimamente associadas à economia de redes e aos mais diversos conceitos de 'efeitos multiplicadores de rede' e de 'externalidades de rede'.

«Na indústria, as economias de escala funcionavam até um certo limite, a partir do qual o custo voltava a crescer. Ora, na economia da informação, as economias de escala geram um custo marginal tendencialmente para zero. O mecanismo de 'feedback' provoca que quanto maior for a rede maior se tornará. No fundo, o mais dá cada vez mais, a um custo cada vez mais baixo», explica-nos Varian.

A outra diferença tem a ver com a alteração da estrutura do mercado. Do tradicional mercado oligopolizado por alguns grupos ou empresas no segmento respectivo da economia industrial, está a passar-se, na nova economia, nalgumas áreas, para «um mercado com monopolistas temporários, que tendem a comer 90 por cento do seu segmento, deixando apenas migalhas para a concorrência». O caso da Microsoft nos sistemas operativos é porventura o caso de antologia.

Dois modelos no mercado da informação

Hal Varian e Carl Shapiro desenvolvem dois modelos de mercado na era da informação.

1. O da firma dominante. O tal monopolista temporário. O caso típico: a Microsoft.
2. O de um mercado em concorrência que admite a diferenciação de produtos similares. Como acontece nas indústrias editorial, do cinema, da televisão, e nalguns segmentos do software.

Neste último caso, os dois autores aconselham o uso das estratégias 'porterianas' (de Michael Porter) típicas, mas com alguns 'arranjos' para explorar novas oportunidades.

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