Ficha 3
Os Arquitectos da Web


Tema: Os mil dias que revolucionaram a Internet
Título: The Architects Of The Web
ISBN: 0471171875
Autor: Robert H. Reid (norte-americano)


TESE: As histórias dos 8 inovadores que mudaram a face da Web, os construtores da Quarta Vaga


por Jorge Nascimento Rodrigues


O artigo foi publicado originalmente na Executive Digest (edição de Julho de 1997), mas teve diversas alterações e acrescentos posteriores.


Robert Reid, um ex-tecnólogo da Silicon Graphics, um dos símbolos do Silicon Valley californiano, pegou na caneta e escreveu em Arquitectos da Web as oito histórias mais marcantes dos 1000 dias que abalaram, de novo, o mundo da chamada "informática" e, nos anos seguintes, a economia e a sociedade.

Depois de um período de aceleração da inovação em termos de Internet, entre 1989 (com o surgimento do conceito de Web e da linguagem HTML criadas no CERN, na Suíça, por Tim Berners-Lee, um investigador inglês) e 1993, este último ano afirmou-se como um ponto de viragem - o surgimento do primeiro «browser» (navegador) marcou a possibilidade de "massificação" da Net em termos de audiência e de entrada dos "ignorantes" e das empresas na sua própria "produção".

Com o nome de "Mosaic", e saído de uma equipa de "putos" universitários algures na América (no «campus» da Universidade de Illinois, em Wisconsin) fora dos holofotes habituais do «high-tech», o primeiro «navegador» abriu os olhos a muita gente e despertou o bichinho do "entrepreneurship". No centro desse furacão emergiu um nome que passou a ser referência: Marc Andreessen (www.netscape.com), que rapidamente chegou a capa da revista Time.

Quase todos os oito personagens destes 1000 dias não são originários de Silicon Valley, nem da Califórnia. Efectivamente, nativa da Bay Area de São Francisco só há uma - Kim Polese, a trintona que, à frente da Marímba (www.marimba.com), chegaria a "Mulher da Web 97" e a ser considerada uma das 25 personalidades mais influentes dos Estados Unidos, segundo a mesma Time, de Abril deste ano.

Os outros vieram para a Costa do Pacífico das mais diversas partes da América e até de fora, pois um deles, Ariel Poler, é um argentino que desembocou na Universidade de Stanford e viria a criar o primeiro sistema de auditoria de «sites» (com a I/PRO, em www.ipro.com).

Uns reciclaram mesmo a sua vida de analistas da Wall Street - como Andrew Anker que viria a lançar a «HotWired» (www.hotwired.com), o primeiro magazine «on line», e Halsey Minor que criaria a CNET (www.cnet.com), a primeira empresa que "mistura" distintos meios de comunicação, nomeadamente a TV Cabo com a Net.

Outros transformaram o seu «hobby» de jovens universitários em negócio, sem jamais terem pensado nisso, como os criadores do Yahoo! (www.yahoo.com).

Finalmente, há mesmo os que continuam líderes de um movimento sem terem metido as mãos no negócio. É o caso de Mark Pesce, o apóstolo do VRML, a linguagem de realidade virtual, hoje em grande ascensão (www.vrml.com).

Nestas oito estórias, a excepção ao poiso no eixo entre São Francisco e Silicon Valley é um ex-Microsoft que se ficou por Seattle, onde criou os fundamentos da rádio do século XXI, com o lançamento da referida Progressive Networks (em www.prognet.com).

A partir do percurso destes oito protagonistas, Reid, com a ajuda de J.Neil Weintraut, um analista da Wall Street, conseguiu reconstuir os pilares em que se está a desenvolver o que alguns já denominaram a Segunda Revolução da Informação, algo como uma Quarta Vaga (para actualizar a expressão lançada por Alvin Toffler) que está a criar toda uma nova indústria, uma nova economia e uma nova sociedade, a que já chamam de "digital".

Mas, como se poderá ler nos contos de Reid, a tarefa destes empreendedores inovadores não foi pera doce.

E continua a não ser. Os seus caminhos cruzam-se amiúde com a Microsoft, o que lhes tira o sono e os obriga a estar dois passos adiante. A estratégia dessa líder da Terceira Vaga é "encurralar" a Net no sistema operativo de que Bill Gates é dono, e "engolir" as inovações, tornando-as em mais um "adereço" (sem dúvida útil e modernaço) na sua plataforma dominante à escala mundial.

Estar dois passos adiante dos "imitadores" é cultivar o punhado de conceitos estratégicos que nasceram desta nova cultura da Web nestes últimos nove anos e provavelmente criar outros, entretanto.

Os oito contos de Reid e a introdução de Weintraut apontam para cinco ideias, com créditos bem formados:
- o renascimento do velho conceito da tecnologia "amigável com o utilizador" (que foi o lema da Apple e do seu PC revolucionário em meados dos anos 70) na concepção e "fabrico" do «browser» e do resto que se lhe seguiu;
- a noção de que não bastam os conteúdos na Net, mas que são decisivos os contextos de relacionamento com o utilizador;
- a valorização da escrita e da imagem com os «hiper-links» (permitindo ao "leitor" navegar para outros conteúdos, para outros contextos);
- a emergência da centralidade da rede das redes em relação ao PC isolado da "aldeia global" em cima da nossa secretária;
- e a personalização - a Web à minha medida - com os mais recentes lançamentos da Castanet pela Marímba (a buzzword «push» começou a andar na boca de toda a gente ultimamente) ou do bilhete de identidade digital pela I/PRO.

Para perceber como estas ideias de negócio funcionam, é preciso ler este volumoso livro (leva-lhe três a quatro tardes de verão a "consumir").

A quase totalidade destas histórias fazem renascer o furor pelo dinamismo do Silicon Valley uma vez mais, o que está a trazer, de novo, para os holofotes da opinião pública a importância de tudo o que por ali se passa, a ponto das revistas Fortune e Forbes recentemente (Julho 1997) lhe terem dado tema de capa.

O «digest» que a Executive Digest de Julho de 1997 lhe apresenta, poupa-lhe tempo, pois deixa-lhe a carne limpa de ossos.

Nota final, a título de curiosidade. Fruto do trabalho conjunto, Reid e Weintraut resolveram meter as mãos na massa, e criaram em São Francisco mais uma capital de risco virada para a nova indústria.


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