Robert Waterman, o "segundo" homem
de «In Search of Excellence»


Trabalhar com Tom foi o ponto mais alto da minha carreira


Os anos em que trabalhámos juntos - entre 1977 e 1983 - foram, provavelmente, os mais excitantes, mais gratificantes e com piada da minha carreira profissional, digo-o sinceramente. Ainda que sejamos pessoas muito diferentes, o trabalho com ele foi o ponto mais alto da minha carreira. E o nascimento de uma amizade que perdura.

O que nos juntou foi uma insatisfação comum em relação ao enorme fosso que víamos entre o que os teóricos da gestão diziam, entre o que os consultores pregavam, e o que os gestores, de facto, no terreno faziam bem nas melhores empresas.

Em particular, estávamos, então, intrigados (e continuámos depois) com tanta atenção que era dada à "estratégia", algo que, regra geral, se vinha a revelar plenamente errado, em vitude da nossa incapacidade em prever o futuro, e que redundava em palavras, porque as "grandes cabeças" pensadoras pouco ligavam aos detalhes da concretização...

Sentimos que o terreno da "organização", não só do aspecto estrutural, mas do conceito de organização como nós o descrevemos nos célebres 7 «S» - estrutura (structure, em inglês), sistemas, comportamento simbólico, «staff» (pessoas), valores partilhados (shared values, em inglês) e competências (skills, em inglês) -, era um assunto muito mais interessante e mais em consonância com a forma como as empresas funcionavam na realidade.

Decidimos, por isso, olhar para essa realidade, para essas empresas inovadoras - inovadoras, não só no sentido dos produtos, mas também de mudarem rapidamente em função dos ambientes em que se inseriam.

Nós pensámos: "aí está o verdadeiro nó estratégico - resposta rápida, não habilidade em adivinhar o futuro". Alguém começou a denominá-las de "empresas excelentes" e assim ficou.

Todo este esforço criativo foi desenvolvido dentro da McKinsey (onde então estávamos) e com o apoio de muitos dos nossos colegas e de académicos de fora (como Tony Athos, Karl Weick, Jim March, Jeff Pfeffer, Herb Simon, Joanne Martin - só para citar alguns de cor), mas o motor de tudo isto foi Tom e a nossa parceria.

A ideia do livro «In Search of Excellence» veio depois. Na verdade, o plano inicial eram dois livros - um seria sobre a excelência liderado por Tom e comigo como co-autor, e outro sobre os 7 «S», da minha responsabilidade e com Tom como co-autor. Isso até descobrirmos como era difícil escrever, e nos decidimos pela excelência em conjunto.

Retrospectivamente, eu acho que as ideias do livro se aguentam bem. É bem verdade que algumas das empresas que usámos como exemplos não duraram, mas nós dissemos claramente no livro que muitas, no futuro, falhariam, mas que o que haviam feito até ali merecia ser estudado e aprendido por nós.

Uma das melhores partes do livro é também, logo no começo, quando ligamos o nosso modo de ver as coisas com o que os principais pensadores da teoria das organizações e da motiviação humana tinham andado a investigar e a dizer anos a fio.


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