Blueprint to the Digital Economy

O que a economia digital está a gerar visto pela equipa
do canadiano Don Tapscott.
Uma colectânea de intervenções de alguns dos melhores especialistas internacionais
no tema dos impactos da nova economia emergente no mercado, nas organizações e nalguns sectores tradicionais do capitalismo.

Editado por Don Tapscott, Alex Lowy e David Ticoll,
da Alliance for Converging Technologies
«Digest» por Jorge Nascimento Rodrigues

Desde a publicação de The Digital Economy (compra do livro) há menos de três anos atrás, que a tecnologia e o mundo sofreram um enorme abalo. Os velhos líderes do «mainframe», do mini-computador, mesmo do computador pessoal ou das redes locais, do software e das indústrias de telecomunicações, passaram para segundo plano, dando lugar cimeiro ao novo.

Em termos de novos modelos de negócio e de novas forças económicas no terreno, pouco tem sido publicado, e a bíblia da gestão, a revista «Harvard Business Review», apenas agora começou a pensar no que virá a seguir à reengenharia. Em 1996, James Moore - que participa nesta colectânea - escreveu a obra seminal The Death of Competition (compra do livro) e, a seguir, uma série de livros interessantes começaram a surgir sobre o tema.

Hoje é claro que os primeiros quarenta anos da revolução da computação foram apenas um preâmbulo. Muitas grandes mudanças ainda estão por vir no futuro. O casamento entre computadores e redes de comunicações está a transformar, em muitos aspectos, os negócios e as actividades de consumo. As organizações enfrentam, também, enormes mudanças, muitas delas ocorrendo em simultâneo.

Além do mais, há um 'tsunami' em aproximação, que ainda poucos notaram. Essa nova vaga resulta de uma confluência entre a revolução tecnológica a que assistimos de novo e uma revolução demográfica a que Don Tapscott chamou de 'Geração Net' (os miúdos e jovens entre os 2 e os 22 anos em 1999) na sua última obra Growing Up Digital.

Como é que todos estes acontecimentos estão a mudar a natureza da firma? Quais são os novos conceitos que podem ser implementados com sucesso na nova economia?

A nosso ver, o mais importante é o conceito de 'comunidade' - muito falado, mas pouco percebido. As relações - quer entre empresas entre si, quer com os consumidores - são hoje centrais à medida que as organizações se envolvem em comunidades de negócio digitais, que a Alliance for Converging Technologies baptizou de 'comunidades de negócio electrónicas' ('e-business communities', no sentido de estender o conceito de 'e-business' criado e popularizado pela IBM).

São uma nova forma de organização comercial permitida e incentivada pela tecnologia digital. Para citar dois casos do que temos em mente, vejam-se os exemplos do Oasis ou de Hollywood.

O acrónimo Oasis significa Open Acess Same Time Information System, e agrupa 172 fornecedores de energia eléctrica numa comunidade de negócios electrónica, que permite aos envolvidos comprar e vender transmissão eléctrica através de um meracdo «on line». Negociações que, dantes, levavam dias e dias, agora são realizadas em segundos por meio de um software, e o custo de tudo isto caíu abissalmente.

Em Hollywood, a rede DRUMS, criada pela Sprint, permite às produtoras de filmes, aos editores, aos estúdios de animação, e a outros intervenientes na indústria cinematográfica trabalharem «on line» em tempo real. O impacto deste salto é assinalável: ferramentas de colaboração, como edição de filmes «on line» e videoconferência, permitem aos produtores, directores e editores resolverem problemas rapidamente, que dantes necessitavam de encontros pessoais.

É este tipo de empresas em rede através da colaboração permitida pelas comunidades de negócio electrónicas que é o cerne deste livro.

A emergência de um novo modelo

Com o surgimento da World Wide Web um ambiente totalmente novo emergiu no mundo dos negócios. À medida que a concorrência se intensifica, a inovação não pode ser conseguida apenas através da firma verticalmente integrada, como no passado do capitalismo industrial, ou mesmo com as chamadas empresas 'virtuais'.

As empresas têm, pelo contrário, de criar redes «on line» de clientes, fornecedores e de processos de valor acrescentado. O resultado desta reconstrução da cadeia de valor no plano digital é o que a Alliance for Converging Technologies designou de 'comunidades de negócio electrónicas' (EBC, no acrónimo em inglês).

As ideias centrais para a formulação deste conceito surgiram com um estudo multicliente conduzido pela Alliance entre Junho de 1997 e Junho de 1998. O projecto designado de 'Winning in the Digital Economy' foi apoiado pela Andersen Consulting, pelo Banco de Montreal, Bell Atlantic, Federal Express, Fujitsu, GM, GTE, Hewlett-Packard, IBM, McGraw-Hill (os nosso editores), Nortel, Oracle, Procter & Gamble, Revenue Canada e Star Data.

Nós definimos as EBC como redes de fornecedores, distribuidores, intermediários comerciais e clientes que usam a plataforma da Internet e outros meios electrónicos como canal de colaboração e competição.

O novo jogo da competitividade é o de liderar uma comunidade no sentido de uma relação de longo prazo com co-fornecedores, encarados como pares e não como súbditos ou escravos, e com clientes. Para se conseguir criar este novo modelo, é necessária toda uma nova forma de pensar, que sintetizamos em cinco eixos: