Com «In Search of Excellence»

Ser herético deixou de ser arriscado

ART KLEINER


Com Tom Peters deixou de ser arriscado ser herético. Diria mesmo que passou até a ser demasiado seguro. O seu primeiro livro, intitulado In Search of Excellence, continua provavelmente a ser, ainda hoje, a obra de gestão com maior impacto jamais publicada, pelo menos em termos da discussão que despoletou e da acção no terreno que inspirou.

À primeira vista, não passava de uma validação aberta da gestão americana - o próprio Tom Peters diria mais tarde que "(o livro) bem parecia levar a bandeira a cobrí-lo" -, mas, no fundo, era, pelo contrário, uma acusação fortíssima. Tudo o que elogiava estava bem longe da norma vigente então nas empresas americanas!

In Search of Excellence era, pelo contrário, um cântico às ideias de gente que, desde há muito, vinha dizendo que a gestão convencional tinha de ser mudada, como referi no meu livro The Age of Heretics. Chris Argyris, Douglas McGregor, Warren Bennis, William Albernathy e Bob Hayes, e Peter Waill, heréticos confessos, são citados no livro de Peters e Waterman.

Desde então, Tom Peters tem continuado a repetir os mesmos argumentos, com argúcia acrescida, por vezes, ou com alguma imprecisão, outras vezes. Ele não passa de um crítico apaixonado da prática empresarial, da mesma forma que um crítico de cinema aprecia um filme.

A história do Homem, muito bem escrita por Stuart Crainer, vale a pena ser lida, já que sem a prosa de Peters o pessoal da gestão teria de passar a vida a labutar duro numa tarefa monótona, estúpida e sem imaginação!


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