Salvador, o Consultor


A insegurança

     Ultimamente, eu, o Salvador e a D. Rosa temos sido empurrados para assuntos da maior actualidade. E "felizmente", pois isso permite-me estar em dia com o que se vai passando no mundo e, com um pouco de sorte, obter crónicas interessantes. Foi assim que vieram à baila o IRS, a queda do Nasdaq, a recuperação de criminosos, a brandura da nossa Justiça, etc., etc.
     Não podia, portanto, faltar uma referência aos dramas do trânsito, embora tal assunto não perca actualidade porque o condutor típico lusitano é incorrigível, e o que se escrever agora ainda vai ser válido por muitos anos.
     Mas este tema merece um cuidado suplementar pois, ultimamente, o Salvador tem sido consultado por entidades governamentais para pôr os seus conhecimentos tecnológicos ao serviço da Justiça e até, como vimos, para colaborar com um departamento secreto de IRS (Integração de Reclusos na Sociedade).
     Ora aconteceu que alguém teve a ideia de começar a controlar os condutores por helicóptero. Mas é de esperar que venha ao de cima a fraternidade entre os automobilistas portugueses: decerto serão profusamente divulgadas as horas e as rotas de passagem dos aparelhos; a rapaziada inventará um sinal de luzes para avisar os outros da presença de tão eficientes supervisores; desenvolver-se-ão "detectores de helicópteros" que se venderão como pãezinhos quentes; e talvez até apareça um grupo cívico, o Movimento pró Auto-estrada em Túnel para o Algarve (MATA).
     E foi por isso, face ao previsível fracasso da ideia, que o Salvador foi chamado para pôr de pé uma outra grande operação: aproveitar satélites existentes para vigiar o trânsito! Tudo indicava que o novo sistema iria, finalmente, meter na ordem os condutores inconscientes.
     Começou-se com uma versão-beta, com um único satélite cuja órbita foi mantida altamente secreta. E a grande ideia do Salvador foi usar a aparelhagem de que já falámos (e que, através de um gigantesco sinóptico, controla os reclusos em liberdade condicional) para a adaptar a esta nova necessidade.
     O Grande Consultor preparou mais um dos seus "patches" e um "up-grade" do sistema pareceu resolver tudo. Mas algum "bug" deve ter havido...
     - É o meu descrédito total! - gemia, ontem, o nosso amigo ao telefone -. Ao "meter no mesmo saco" criminosos comuns e automobilistas, sucedeu uma coisa terrível! E agora como é que vou explicar ao Sr. Ministro... que alguém roubou o satélite?!

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