O Prof. Equinócio - II
Na semana passada apresentei o Professor Equinócio, nome especialmente divertido por ter conhecido o homem precisamente em fins de Março.
Mas o importante é que a zona da empresa dele (todo o Parque Tecnológico) é um verdadeiro paraíso para pessoas como o Salvador (que ganha a vida a vender tecnologia-de-trazer-por-casa a pessoas que ainda sabem menos).
E o certo é que, à parte o incómodo de ter de deixar o Cadillac longe (e ir um bom bocado a pé), há a certeza de poder facturar bastante sem ter de sair ali da zona.
Ora, um dia destes, quando por lá andávamos, apareceu-nos o tal Professor Equinócio que, fazendo-nos uma grande festa, nos informou:
- Já estou mais receptivo à electrónica e à informática! Desde que descobri que posso abater nos impostos, reconheço que tem aspectos positivos.
«É mesmo assim» - matutei - «Certas pessoas são difíceis, mas é uma questão de tempo...».
Para nosso espanto, o cavalheiro fez questão de nos levar novamente à sua empresa, pois queria mostrar-nos alguns documentos, nomeadamente dois com que pretendia obter benefícios fiscais.
- Sabem? Faço alguma confusão entre electrónica e informática, por isso tenho receio de estar a cometer algum erro. E com os homens das Finanças não se brinca!
Com essa conversa lá me recordou o terrível IRS (cuja declaração tenho de entregar este mês), mas procurei concentrar-me em esclarecer a novidade. E como, sob pretexto de nos oferecer um cafezinho, ele nos ia empurrando para a sua empresa, lá fomos.
Só não estávamos era à espera de deparar com um novo inquilino: um minúsculo cãozinho que, embora coubesse num bolso de colete, ladrava ininterruptamente e bem alto!
- É o nosso novo cão de guarda. Comprei-o no seguimento do roubo das fontes do computador, como se lembram. Chama-se Átila.
Mas não havia tempo a perder. Assim, chegados à Contabilidade, o Professor, sem largar o cachimbo, pegou num pequeno dossier e mostrou-nos duas facturas. Queria saber se poderia apresentá-las nas Finanças.
Uma não oferecia dúvidas: era a da compra do velho 486... Mas já a outra era incompreensível: tratava-se de um recibo de uma loja de animais, precisamente a da compra do incrível cão-de-guarda! Vendo a nossa estupefacção, o Professor comentou, desalentado:
- Hum... Se calhar, se eu tivesse comprado o bicho quando fui a Londres, tinha sido melhor, pois a factura sempre vinha em inglês...
Não percebemos. Mas ele esclareceu:
- Toda a gente sabe que, em electrónica, existe uma coisa chamada watch-dog...
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