Salvador, o Consultor


O Prof. Equinócio - I

     Já não me admiro quando o Salvador manda a D. Rosa telefonar-me a pedir ajuda. Mais uma vez isso aconteceu um dia destes, tratando-se, desta feita, de visitar uma das muitas empresas sediadas junto da Teknospiro e sofrendo do mesmo mal do atraso tecnológico.
     Eu já vou estando preparado para tudo, mas confesso que não esperava ver uma grande faixa de pano informando, por baixo do nome da empresa:

NEGÓCIOS SUSTOS

     Relacionei logo a estranha frase com os sustos que a "nova economia" nos tem vindo a pregar. Mas, afinal, o cartaz estava apenas rasgado e ensarilhado, e um oportuno golpe de vento, desenrolando-o, permitiu ver:

NEGÓCIOS SUSTENTADOS

     Entrámos, e fomos encaminhados para uma sala de visitas onde já nos aguardava um estranho cavalheiro:
     - Professor Equinócio, o patrão -. Apresentou-se ele, roendo um velho cachimbo -. Não percamos tempo. Queiram ter a bondade de me acompanhar à Divisão de Informática.
     Fomos então conduzidos a uma sala onde inúmeros funcionários trabalhavam afanosamente com máquinas de escrever e onde, a um canto, um vetusto computador fazia figura de filho único!
     - A nossa empresa estava a pensar em se lançar na Nova Economia. Mas toda a prudência é pouca, como verão. Para já, estamos só na fase da economia.
      Levou-nos em seguida até junto do computador e pudemos ver, no monitor, uma folha de processamento de texto, já aberta, mas com uma incrível sequência de gatafunhos que se podiam ver em vez das letras.


     - Código secreto, nitidamente! - Comentou o anfitrião, preocupado mas seguro do que dizia.
     No entanto, a situação era simples: alguém escrevera um texto qualquer e mudara o tipo de caracteres para um tal Wingdings.
     A D. Rosa, dando-se ares de especialista, seleccionou então o texto com o rato e tentou mudar a "fonte" para ARIAL. Mas, para seu grande espanto, não conseguiu! O professor interveio:
     - Sou especialista em criptografia mas ainda não decifrei o que aí está. Deve ter havido um ataque de ácaros. - Ele pretendia dizer hackers.
     Copiando o ficheiro para o nosso portátil, conseguimos então alterar os caracteres e decifrámos tudo! Alguém (quem sabe se o Chico-Piolhos) assaltara a empresa! Só que, perante a desgraça de equipamento que encontrara, não roubara nada, deixando apenas uma pequena partida:
     «Como aqui só há porcaria, roubei-vos as fontes (que, como sabem, são em chumbo desde o tempo do Gutenberg). Sempre valem algum dinheiro».

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