Salvador, o Consultor


O Chico Pi - Olhos - I

     Talvez estejam recordados da intervenção técnico-pedagógica que eu, a D. Rosa e o Grande Salvador fizemos, durante algum tempo, num estabelecimento prisional:
     Numa experiência-piloto altamente secreta estava a ser ensaiada uma nova forma de integração de reclusos na sociedade. E, para o efeito, no seguimento de um protocolo também rigorosamente confidencial com um ministério, estava a ser dada , a alguns presos escolhidos, a possibilidade de navegarem na Internet (embora com as limitações naturais que, na altura, referi).
     Ora o certo é que um tal Chico-Piolhos (ou "3,14-Olhos", como ele gostava de ser tratado por se achar um intelectual) tinha-se revelado um preso-modelo, não só em comportamento como em termos de conhecimentos tecnológicos e, no seguimento de um outro protocolo com uma célebre empresa da família das "dot-com-qualquer-coisa" arranjara um emprego bem pago.
     Agora imagine-se a nossa profunda tristeza quando viemos a saber que o Cadillac onde o Salvador passeia o seu "ciberespaço ambulante" fora assaltado, e exactamente pelo Chico-Piolhos que acabara por ser preso quando já ia a correr pela rua abaixo.
     - Tempo perdido! - Comentou o Salvador, muito triste, quando a polícia o informou da identidade do gatuno - Tanta gente a querer recuperar o homem, tantos recursos humanos e tecnológicos investidos neste programa tão humano, e, vai-se a ver, foi tempo e dinheiro desperdiçado! O homem voltou a roubar carros e, para maior crueldade, escolheu logo o meu, que fui quase um irmão para ele!
     E, com o ar de pesar que se imagina, ambos nos dirigimos para o Cadillac para verificar bem os estragos causados e listar o que desaparecera. Mas não havia sequer vidros partidos. O Chico decerto usara uma chave falsa.
     A D. Rosa já estava no local a fazer o inventário das existências, e em breve dava conta do resultado ao patrão.
     O Salvador, depois de uma rápida vista de olhos no relatório, virou-se para mim, com um sorriso de orelha a orelha, e anunciou:
     - Grande vitória, pá! O grande pirata, afinal, não roubou a aparelhagem estereofónica, nem o leitor de CDs nem mesmo o dinheiro que estava à vista! Não roubou absolutamente nada! Levou apenas um modem ultra-rápido que eu aqui tinha, e teve a lisura de deixar, no mesmo lugar, a porcaria do de 14 k que usava na prisão!

***

Desta vez, o nosso amigo Salvador foi vítima de um estranho assalto!

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