Salvador, o Consultor


Chinesices - II

     Na semana passada contei-vos como o Salvador falhou rotundamente quando procurava na Internet referências a um sabonete supostamente chinês (mas, afinal, bem português!) "com aroma de LI-KA-DO".
     Mas nem tudo lhe tem corrido mal nas ajudas que regularmente dá ao Sr. Joaquim, especialmente quando se trata de pôr as novas tecnologias ao serviço da modernização do comércio tradicional.
     O certo é que já fez uma home-page para o homem, arranjou links para tudo e mais alguma coisa, e não há guia de comércio electrónico que omita a referência ao «Rei da Batata», onde, a acreditar na publicidade, «a arroba (referida pelo símbolo "@") é mais barata».
     Nesse dia, quando a tal velhinha chinesa se foi embora com uma dúzia de sabonetes de alfazema "com aroma delicado", o Sr. Joaquim, chamando o Salvador de parte, sussurrou-lhe:
     - Com um pouco de sorte, e com a sua ajuda, vamos conseguir entrar no mercado chinês, não acha?
     - Claro! - Foi a resposta do Grande Consultor, chamando-me para entrar na conversa -. Eu e aqui o meu amigo tudo faremos nesse sentido! Para já, vamos começar pelo restaurante chinês aqui do bairro, e convencê-los a meter na ementa cozido-à-portuguesa com arroz chau-chau. Será apenas uma experiência-piloto, claro, para ver como reage o mercado do Oriente.
     O merceeiro estava encantado! Pelo que percebi, já há algum tempo que o nosso amigo lhe dava valiosos conselhos. E, no caso concreto do cozido-à-portuguesa, a coisa até já fora mais longe:
     A D. Adélia, extremosa esposa, já confeccionara um "protótipo" que fora devidamente fotografado e digitalizado, e em breve seria afixado no ciberespaço!
     - Vais ver o sucesso que isto vai fazer quando passar a ser uma realidade a Internet com cheiro! - Comentou.
     Mas via-se que o Sr. Joaquim queria falar com ele com alguma privacidade, e decidi afastar-me.
     Passado algum tempo, o Salvador apareceu. Trazia na mão esquerda o seu portátil e na direita um garrafão de 5 litros de vinho do Cartaxo.
     - Podemos ir embora. Desculpa lá aquela conversa sigilosa, mas é sempre assim quando se aproxima o fim do mês e temos de discutir os meus honorários.
     E completou:
     - Ele paga-me em vinho e em whisky. Não tenho de o declarar no IRS, apesar de ser ordenado... líquido.

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