Salvador, o Consultor


Um Homem das Arábias! - II

     Como talvez estejam recordados, na semana passada referi-me às incríveis pesquisas que o Salvador fizera na Internet para poder ajudar a filha num trabalho de Literatura inglesa para o qual a jovem não encontrava a necessária documentação.
     Mas, talvez porque o cérebro dele andasse ocupado com mil-e-uma coisas, ele misturara Shakespear com a crise do petróleo (que tanto o preocupava devido ao consumo exagerado do seu novo Cadillac - «embora ele até ande com aguardente ou after-shave», como diz) e fui dar com ele a procurar informações acerca de um tal Skeik... Spiar!
     No entanto, depois de desembrulhada a confusão (e festejado o facto com grandes gargalhadas), o resto foi extremamente fácil, e lá encontrámos inúmeras referências ao que ele queria.
     Depois afastei-me, para não o estorvar no trabalho "criativo", e fui conversar com a D. Rosa (que ultimamente alterna o seu trabalho de assessora do Grande Consultor com a supervisão da limpeza) para o deixar sossegado.
     Copia daqui... copia dali... e em breve o nosso amigo, que até há momentos era um autêntico analfabeto nessas matérias, estava em condições de apresentar - se necessário fosse - uma verdadeira tese de doutoramento!
     Por fim, já totalmente descontraído e de bom humor, espreguiçou-se e comentou:
     - Já agora, podíamos dar alguma mais-valia humanístico-tecnológica a este trabalho. O que achas?
     Fiz cara de quem não tinha percebido, e ele continuou, para me esclarecer:
     - Acho que podia dar um tom mais moderno ao trabalho da Rosarinho. Eu estava a pensar, por exemplo, mostrar como as novas tecnologias se adaptam bem a tudo, mesmo que o assunto seja literatura inglesa do século XVI...
     Ainda percebi menos!
     - No fim de contas, e como viste - prosseguiu ele - se não fosse a Internet a miúda nunca mais iria conseguir material para o trabalho sobre esse tal Shakespear!
     Embora a afirmação fosse contestável, "fiz que sim" com a cabeça, só para ver o que mais é que podia sair daquele cérebro.
     Bem... se ele, na sua imaginação, já metera o poeta a viver algures no Golfo Pérsico, o que mais iria inventar?!
     Então o nosso amigo levantou-se, e, com um brilhozinho nos olhos, procurou por entre uma pilha de revistas uma «Valor» onde se referia, na capa, o Business-to-Business como sendo o famoso "B2B".
     Depois quis-me convencer que ficaria muito bem no trabalho («Seria a cereja no cimo do bolo!») uma referência - mesmo discreta - ao «2B or not 2B»!

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