O Dalai Lama, pois claro!

Em alturas como esta é relativamente fácil escrever artigos de opinião pois assuntos não faltam, desde as peripécias parlamentares até à guerra do Afeganistão.

No primeiro caso teríamos "pano para mangas" com trapalhadas como as do queijo limiano, da Lei de Programação Militar ou da alcoolemia: qualquer cronista de meia-tijela (como eu) escreve uns lugares-comuns em meia-dúzia de linhas e, mesmo que não seja essa a sua vontade, até pode acabar por ter alguma graça.

Mas hoje trata-se de escrever a crónica semanal para a "Recortes" e seria conveniente que abordasse qualquer coisa relacionada com tecnologias (novas ou velhas). E, já agora, se não for pedir muito, sobre assuntos portugueses.

No entanto, como o tempo foi passando e a inspiração não vinha, resolvi recorrer, em desespero de causa, aos serviços Internet.

Só que, e no que respeita à actualidade nacional, é a visita do Dalai Lama que enche tudo! E foi nesse seguimento que, embora um pouco desapontado, saltei da Sociedade da Informação para a Informação da Sociedade e me deixei conduzir pelo que o ciberespaço me ia oferecendo.

Depois, de link em link, fui aprendendo inúmeras coisas sobre essa personagem (quem é, o que faz e o que representa), e a breve trecho estava eu a ser informado pela centésima vez de que, na sua visita a Portugal, nem o Parlamento, nem o Governo nem o líder da Oposição o tinham recebido.

Fiquei também a saber que, por essa altura, a abertura do "El Corte Ingles" fora considerada para alguns muito (mais) importante, e conseguira mesmo influenciar a agenda política: possivelmente alguns do que não encontraram tempo para receber o Prémio Nobel da Paz arranjaram-no em quantidade suficiente para subir e descer gaiatamente as novas escadas rolantes de S. Sebastião da Pedreira.

Mas eis que, de súbito, uma notícia dissonante me chama a atenção:

O Presidente da República, recorrendo à sua consabida arte, e quiçá por associação de ideias com a antiguidade que o Dalai Lama encarna, juntou "dois mais dois" e encontrou a solução: recebê-lo no museu de Arte Antiga!

7 Dez. 2001

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