Tão cedo ninguém se vai esquecer dos caricatos episódios da aprovação da Lei de Programação Militar:
Começaram por se "contar" 115 deputados, depois desencantou-se um 116º (que se tinha esquecido de assinar o ponto), e a saga - que ainda não acabou - prosseguiu com uma promulgação presidencial sem que se ficasse a saber muito bem quantos representantes do povo estariam de facto presentes na altura da votação.Pouco depois, no entanto, ficámos a saber duas coisas muito importantes:
PRIMEIRO: que problemas desse tipo se podiam resolver se houvesse um sistema de votação electrónica.
SEGUNDO: que isso já existe no Parlamento desde 1999, custou "algum dinheiro ao país" (uns 77000 contos), mas nunca foi usado.
Além das inevitáveis considerações sobre a forma como são gastos os nossos dinheiros (o que seria um lugar-comum), podíamos meditar sobre a apetência da classe política por "modernices" tais como a Internet, o e-mail, os computadores e coisas desse tipo.
Mas tudo está bem quando acaba bem: parece que a máquina vai ser estreada "qualquer dia".Nesta altura da redacção, eu preparava-me para terminar com uma nota de pretenso humor, dizendo:
«Já agora, e se ainda for a tempo, podia ser feita uma melhoria:
Instalar-se, na consola dos presidentes dos grupos parlamentares, um botão especial, rotulado ACE (Acordo de Cavalheiros Electrónico) que permita que, uma vez accionado, seja considerada a totalidade dos deputados do seu partido».Mas parece que a minha ficção foi ultrapassada pela realidade:
Pelo que hoje li, um sistema que permite esse resultado... já está previsto!
Publicado na RECORTES de 16 de Nov. 2001
(*) Este texto é uma variante mais actualizada de «Política Digital no Parlamento»,
publicado na mesma semana no semanário "Expresso"
Foi também publicada uma versão resumida na revista "VISÃO" de 22 de Nov. 2001
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