Numa época em que estar sintonizado com a revolução digital é vital para a sobrevivência das empresas e das organizações, a pseudo-superioridade idiota que exibem muitos dos que as dirigem e governam torna-se dramática.

Mas essa infeliz atitude tem, como contraponto, a virtude de inspirar algumas saborosas histórias deste nosso amigo, pretendendo este portal ajudar a encaminhar os eventuais leitores para todas elas (e para o mais que aí virá...)


PÚBLICO - Computadores (JANELA INDISCRETA)
22 Jan 2001

Texto de Isabel Gorjão Santos Foto de Dulce Fernandes

Carlos Medina Ribeiro, Engenheiro Electrotécnico, 53 Anos

"A minha relação com as novas tecnologias começou por ser muito má", confessa Carlos Medina Ribeiro. Engenheiro electrotécnico de profissão e escritor nos tempos que o seu trabalho deixa livres, Medina chegou à Efacec, onde ainda trabalha, muito antes de lá terem chegado os computadores. Mas lá se adaptou às novas tecnologias e hoje é autor de muitas histórias divertidas, relacionadas com as empresas e as pessoas que têm alguma resistência a tudo o que se relaciona com informática. São histórias bem humoradas, baseadas em casos verídicos, na maioria protagonizadas por um jovem engenheiro chamado Jeremias, um personagem em que Carlos Medina se revê.

Quando a empresa onde trabalhava foi informatizada, aconteceu a Carlos Medina "o mesmo que a muita gente da mesma idade": "Não conseguia trabalhar com os computadores, mas também não havia muitos e estavam todos entregues às dactilógrafas", explica.

Mais tarde, sentiu necessidade de aprender a trabalhar com um processador de texto, motivado pelo gosto pela escrita. A Internet chegou algum tempo depois e veio dar nova utilidade ao computador de Carlos Medina: já podia enviar os seus textos para onde quisesse, o que facilitava muito as suas colaborações em diversas publicações. "O computador abriu também um universo de possibilidades, nomeadamente a hipótese de fazer tratamento de imagens e juntar ilustrações aos textos." "Conheço muitas empresas para onde se telefona a pedir o E-mail e ainda não têm", diz Carlos Medina - situação que é um drama.

A necessidade de trabalhar com os computadores levou-o a aprender por si, mesmo deparando-se com algumas pessoas a quem, nas suas histórias, chama "complicadores". "Nas empresas, também há muitos indivíduos que percebem muito de informática mas que não sabem explicar como é que funcionam as coisas."

Hoje, Carlos Medina é um utilizador intensivo dos computadores.

Quando terminou o curso, no Instituto Superior Técnico, em Lisboa, e começou a trabalhar, "apenas havia máquinas de calcular". Estava-se no início da década de 70. "A vida de um engenheiro tem muito de leitura, escrita e cálculos", diz Carlos Medina, que considera importante a utilização das novas tecnologias em qualquer organização. Nas histórias que escreve, não faltam exemplos de má utilização das tecnologias ou da quantidade de problemas que estas poderiam resolver - desde a empresa que não possui os seus contactos organizados numa "mailing list" electrónica (e se vê obrigada a enviar inúmeros faxes) ao polícia que perde largos minutos para passar uma multa, preenchendo à mão um extenso formulário.

Quem se quiser divertir com algumas destas histórias pode encontrá-las na sua página (http://www.janelanaweb.com/humormedina) ou ler um dos seus livros, como "Crónicas da InforFobia", ou outros sobre as aventuras e desventuras de Jeremias, o Jovem Engenheiro Recrutado para Ensinar o Mínimo de Informática aos Assarapantados Sócios.

Em "Operação JEREMIAS", este personagem percorre os diversos sectores da empresa, uma tal Makro-Teknika, procurando mostrar que a informática pode resolver os vários problemas das pessoas. Sucedem-se os episódios divertidos, alguns caricatos, e o jovem engenheiro acaba por se tornar dono da empresa, vivendo depois outras histórias em "Jeremias, CONSULTOR". E o autor assegura que, como estas histórias acontecem todos os dias, vai continuar a escrevê-las.

Carlos Medina tem também vindo a escrever para os mais pequenos e a participar, junto de escolas, em sessões de leitura e de escrita integradas no projecto "Internet nas Escolas", onde se apela à criatividade dos mais novos. É para estes que foi lançado "O Clube dos Inventores", também disponível na Internet.

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