Colaborações no Diário Digital


O buraco das disquetes

Apesar de os computadores terem sido inventados há mais de 60 anos (e de a Internet já ter comemorado o seu 36º aniversário), o info-analfabetismo continua a ser uma praga de efeitos devastadores.

Em Portugal, ainda não há muito tempo, profissionais de muitas áreas podiam acabar os seus cursos superiores sem saberem mexer num computador, e recentemente conheci mesmo engenheiros electrotécnicos em altos postos empresariais que nunca tinham enviado um e-mail, nem navegado na Web, nem faziam a menor ideia de como é que se acedia ao conteúdo de uma disquete.

Pelo que temos vindo a saber do escândalo das listagens da PT, o problema envolveu vulgares ficheiros de Excel a que alguém lá da empresa aplicou, simplesmente, a opção «Filtro» - o que algumas pessoas têm referido, pomposamente, como uma operação de «codificação e encriptação».

Ora, uma vez enviados assim, esses ficheiros ficaram, evidentemente, à mercê da primeira pessoa que, sabendo que uma disquete se insere com o buraquinho para baixo (se a ranhura for horizontal), quisesse dar uns «cliques» de rato - coisa que, hoje-em-dia, qualquer adolescente sabe fazer.

Por isso, e independentemente do aspecto legal do imbróglio, é preocupante ouvir algumas pessoas referirem-se a uma coisa tão corriqueira como «uma operação que não está ao alcance do cidadão-comum», que «o assunto foi entregue a peritos em informática», etc.

Não podiam tentar arranjar uma vaga no Curso de Introdução à Informática que a Microsoft vai oferecer a 4500 desempregados da indústria têxtil?


Publicado no "Diário Digital" em 17 Janeiro 2006

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