Colaborações no Diário Digital


Uma forma superior (?) de luta

I - VAI POR AÍ uma grande discussão sobre um assunto que, à primeira vista, não interessaria nem à Senhora de Fátima:

SERÁ CAVACO SILVA UM POLÍTICO PROFISSIONAL?

O visado diz que não - e não se mostra interessado em falar mais nisso; Mário Soares garante que sim - e acha que o caso é de grande interesse para o país.

Apesar de me parecer que o assunto não-tem-ponta-por-onde-se-lhe-pegue (pelo menos como problema nacional), tentei colocar-me na pele do visado só para arrumar ideias:

Eu acabei o meu curso do Técnico em 1970 e, a partir daí, passei a responder «engenheiro» quando me perguntavam qual era a minha profissão. E se, por hipótese, eu tivesse sido deputado durante algum tempo, mesmo nessa altura continuaria a responder o mesmo; e também se, após alguns anos, regressasse à empresa onde havia trabalhado trazendo no bolso uma reforma de deputado, não seria por causa desta que eu passaria a ser um «político profissional». «Obviamente!» - acrescentarei, se não se importam.

Da mesma forma, imagino que a profissão de Cavaco Silva seja «economista» (ou «professor de Economia», ou coisa semelhante), profissão essa que não deixou de ter pelo facto de, durante alguns anos, ter sido Primeiro-Ministro.

Mas, no essencial, o caso só revela a espantosa obsessão de Mário Soares e do PS em atacar Cavaco Silva, tomando-o como ponto de referência - caminho esse que Manuel Alegre também começou por percorrer, mas que abandonou recentemente, com os resultados que se conhecem.

II - QUANDO, numa loja ou num restaurante, alguém se depara com uma cola de uma marca desconhecida, em geral pensa na Coca-Cola e faz comparações com ela. Esta, por sua vez, ao ser tomada como padrão, é «colocada num pedestal» mesmo que não tenha sido essa a intenção do consumidor.

Ora não é exactamente isso o que estão a fazer os que usam Cavaco Silva como tema recorrente nos seus discursos, textos e argumentos? Não se apercebem da tristíssima figura que fazem ao colocarem-se, por sua livre iniciativa, na posição de «olhar para ele de baixo para cima»?! É estranho mas, de facto, não; não se apercebem!

Face a essa ingenuidade (e da mesma forma que não passa pela cabeça da Coca-Cola dizer mal das outras colas), Cavaco também não se refere - sequer... - aos seus concorrentes. É por essas e por outras que se vê que o homem aprendeu mais em 10 anos do que os outros todos em 30 e, embora não gostando muito dele, reconheço que tenho de lhe «tirar o chapéu»!

NOTA 1: Resolvi, também, recorrer a um dicionário, que me diz que «profissional é uma pessoa que é regularmente remunerada pelo trabalho que executa».
Assim, imagino que um «político profissional» seja «alguém que tem a sua principal fonte de rendimentos na actividade política», e não «quem durante algum tempo exerceu essa actividade», mesmo que venha a receber uma reforma devido a esse facto.
«Políticos profissionais» seriam, pois, pessoas como Carlos Carvalhas, Alberto João Jardim, Jorge Coelho, Paulo Portas, etc. - o que, em si mesmo, «não é mau nem bom», mas o que parece corresponder verdadeiramente à definição da expressão em causa.

NOTA 2: A velha frase «Falem bem ou mal de mim, mas falem de mim!» (que já foi atribuída a muita gente) teve, mais recentemente, uma variante curiosa: «Quando disserem mal de mim, não se enganem a escrever o meu nome!».


Publicado no "Diário Digital" em 31 Outubro 2005

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