Colaborações no Diário Digital


A mecânica da (in)justiça

Diz-nos o senso-comum que, se de um determinado ponto e nas mesmas circunstâncias largarmos um corpo várias vezes, ele vai cair sempre no mesmo sítio - e foi essa noção de que «as mesmas causas provocam os mesmos efeitos» que levou, durante séculos, a pensar-se que era possível prever o futuro desde que se conhecessem as «condições iniciais».

No entanto, no início do Século XX (com a Mecânica Quântica) ficou provado que a realidade não se comporta assim - há apenas uma certa «probabilidade» de que as coisas aconteçam de certa maneira.

De tal forma isso parece pouco convincente, que o próprio Einstein nunca aceitou esse «indeterminismo» (dizia ele que «Deus não joga aos dados») - mas estava errado.

Aliás, o azar dele foi ter morrido em 1955 pois, se hoje fosse vivo, ficaria convencido da veracidade da Mecânica Quântica.

Ora veja-se a contribuição portuguesa para isso:

Há algum tempo, ficou famosa uma decisão de uma juíza acerca do Processo da Casa Pia que ia contra tudo o que tinha sido decidido até aí.

Mais recentemente, e em relação aos serviços mínimos decretados pelo Ministério da Educação, o Tribunal Administrativo e Fiscal de Lisboa decidiu uma coisa, enquanto o seu congénere de Ponta Delgada decidiu exactamente o oposto.

E parece que estes são apenas dois exemplos entre muitos, pois pessoas entendidas nestas coisas informaram-nos que «isso é perfeitamente normal, a Justiça funciona mesmo assim» - o que não nos deixa muito tranquilos...

Mas, como o Sr. Ministro das Finanças diz agora que ainda vai fazer algumas privatizações por causa do défice, pode ser que ainda venhamos a ouvir anúncios do género:

- Já falaste com o teu tribunal?

- Não, falei com o teu!


Publicado no "Diário Digital" de 4 Julho 2005

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