Colaborações no Diário Digital


Nabos a mais, tomates a menos

Recentemente, num daqueles irritantes vídeos que as televisões nos mostram de vez em quando, vimos mais um assalto num comboio da Linha de Sintra - mas este tinha uma particularidade:

No meio de assaltados e assaltantes, um indivíduo de uma empresa de segurança, devidamente fardado, assistia a tudo. Mas não estava impávido e sereno, não senhor - o nosso homem ria-se, nervoso, decerto rezando para que o deixassem em paz, como o Guarda Geleia que Jô Soares tão bem satirizava. E, como não era Segurança da CP, nada daquilo era com ele. Portanto, uma vez consumado o roubo, afastou-se dali, de saquinho na mão, sempre sorrindo. Gostei do seu auto-controlo, pelo que fiquei cheio de curiosidade de saber em que empresa trabalha tão bravo cidadão.

Dias depois, nova barafunda num desses comboios. Accionado o sinal de alarme, a composição pára, salta gente para a linha, há feridos, e dois suspeitos são presos, pouco depois,... por polícias de trânsito!

No mesmo dia, cinco perigosos cadastrados fugiam, em plena luz do dia, da cadeia de Coimbra.

Um senhor explicou para a TV que ainda apareceu um guarda prisional a correr... e em cuecas.

Entretanto, como não podia deixar de ser (e enquanto nós nos rimos, para não chorar...), o Governo diz que vai mandatar um grupo de peritos para avaliar as falhas de segurança nas prisões portuguesas.

Procuro uma boa definição para «perito» e encontro:

«Indivíduo que sabe cada vez mais de cada vez menos, até que sabe tudo de nada».

Mas prefiro esta outra:

«Pero pequenito».


Publicado no "Diário Digital" de 24 Junho 2005

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