Colaborações no Diário Digital


Os aflitinhos e os «três vintes»

I - Os aflitinhos

O que é estranho (e altamente preocupante) nos casos de Isaltino Morais e Valentim Loureiro é a verdadeira obsessão que se apoderou deles, contrariando inclusivamente os respectivos partidos - para já não falar do mais elementar bom senso.

É que, note-se, eles «não se oferecem» para candidatos - eles QUEREM SÊ-LO, PRECISAM DE O SER, PARECEM DESESPERADOS, como se morressem se tal não acontecesse!

O certo é que me fazem lembrar uma banda desenhada do saudoso Guarda Ricardo quando se aproximavam as primeiras eleições livres em Portugal. Dizia a caricata personagem, num monólogo que cito de memória:

«Chefe, quero votar! Chefe, preciso de votar! Chefe, estou à-rasquinha para votar! Olhe, Chefe, se calhar ainda voto mesmo aqui!»

Claro que, nos casos em apreço, onde está «votar» deve ler-se «voltar»...

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II - Os «Três-Vintes»

Agora que o Sr. Ministro das Finanças veio a público dizer que quer cortar uns 4 mil milhões de euros em despesas do sector público, lembrei-me novamente de uma marca de cigarros que havia em tempos, chamada «Três Vintes» ou «20-20-20».

Julgo que o nome vinha do facto de serem maços de «20 cigarros, que pesavam 20 gramas e que custavam 20 tostões», mas isso agora não interessa.

O importante é que me lembro sempre disso quando aparecem entendidos em Finanças a falar em controlar o défice, pois fico a ver se (e como) falam eles dos «20» MILHÕES de dívidas dos clubes de futebol e dos «20» MIL MILHÕES de dívidas ao Fisco, em geral.

Se falarem disso, então, sim: dou-lhes «20»!


Publicado no "Diário Digital" de 16 Maio 2005

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