Impostos & Imposturas
I
1: Todos nos lembramos que Durão Barroso prometeu, na campanha eleitoral, que baixaria os impostos.
Uma vez eleito, fez exactamente o inverso - no que ficou para a nossa pequena-história como o paradigma das aldrabices dos políticos.
2: Depois de todos termos ouvido, na TV, Sócrates a prometer que não mexeria nos impostos, aparece agora o futuro ministro das Finanças a referir exactamente o contrário - num remake de supremo mau-gosto da rábula anterior.
3 (= 1+2?): Poucos dias antes das eleições, Clara Pinto Correia afirmou, no "JN":
«Escolher o próximo Primeiro-Ministro é como escolher entre a Pepsi-Cola e a Coca-Cola».
Acerca disto, passa-se uma coisa curiosa:
A maior parte dos entrevistados em inquéritos de preferência diz que gosta mais da segunda.
No entanto, se provarem ambas sem saberem qual estão a beber, preferem a primeira - o que prova que, DE FACTO, NÃO SÃO IGUAIS.
Também em relação ao desabafo de Clara Pinto Correia, esperemos que Sócrates nos prove que ela estava enganada - e que esta história dos impostos subirem não passa de uma esperteza-saloia... a ver se «COLA».
II
O certo é que Durão Barroso foi mais matreiro do que Sócrates, pois só procedeu ao aumento do IVA DEPOIS de se apanhar no governo.
Embora, possivelmente, pouco possa ser feito, o certo é que isto me recorda uma velha história - supostamente passada com o Rei D. Carlos:
Estava Sua Majestade a visitar um manicómio, quando um internado se aproximou dele, muito nervoso, garantindo-lhe que estava óptimo de saúde, pelo que podia - e devia - sair dali.
O Rei interessou-se por ele, ouviu-o, e, entre muitas outras coisas, perguntou-lhe o que é que ele fazia antes de ser internado.
- Saiba Vossa Majestade que eu sou galo!
E, pondo-se de cócoras em cima de uma mesa, começou a cantar «Có-có-ró-co! Có-có-ró-co!»
O rei virou-lhe as costas e, rindo, só comentou:
- Olha, cantaste a tempo!
E é daí que vem a famosa expressão «Cantar-de-galo»...
Publicado no "Diário Digital" em 7 Março 2005
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