Colaborações no Diário Digital


O sábio e o sabichão

Ao contrário de Paulo Portas (que soube tirar conclusões rápidas da sua derrota), Santana Lopes começou por dar a entender que se manteria à frente do Partido (e se recandidataria à respectiva liderança), para anunciar o contrário 48 horas depois - o tempo que demorou «a pensar»!

Claro que já estamos habituados a que ele mude de ideias de um momento para o outro, mas o facto de ter precisado de tanto tempo para tomar uma decisão óbvia pouco abona em seu favor - ou é de compreensão lenta, ou nunca tinha pensado que lhe pudesse suceder o que sucedeu.

E que raio de político é esse, que ainda não aprendeu a PREVER as situações?!

*

Essa incapacidade de previsão faz-me recordar um episódio que se passou comigo:

Em tempos, soube que uma empresa andava à procura de um engenheiro.

Resolvi apresentar um colega meu, recomendando-o com a indicação de que era muito bom a resolver problemas.

Sorrindo, o administrador agradeceu-me, mas, com uma simpática palmadinha nas costas, deu-me a seguinte resposta que nunca mais esquecerei:

«Obrigado, mas eu não preciso de quem RESOLVA problemas. Engenheiros desses, há por aí aos pontapés. Eu preciso é de quem saiba ANTECIPÁ-LOS para que não cheguem, sequer, a surgir. Esses é que são os bons gestores, os bons engenheiros».

E rematou:

«Sabe, meu amigo? É que GERIR É PREVER...»

Lembrei-me disso ao ouvir António Vitorino dizer recentemente (achando que proferia palavras muito sábias):

«Eu só penso nos problemas à medida que aparecem».


Publicado no "Diário Digital" em 28 Fevereiro 2005

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