A Máquina
IMAGINE-SE que alguém, morando perto de um asilo de idosos da 3ª ou 4ª idade, tinha o benemérito hábito de ajudar velhinhos e velhinhas a atravessar a rua.
Imagine-se ainda que, sentindo-se, a certa altura, também ele velho e cansado - e vendo que não poderia continuar a sua filantrópica actividade por muito mais tempo - inventava um «robot atravessador de velhinhos e velhinhas» para lhe dar continuidade.
À primeira vista, tudo parece bem, mas o certo é que haveria uma grande diferença:
A partir desse momento, o nosso amigo arranjaria um novo problema: passaria a ter a obrigação (ou, pelo menos, a preocupação) de manter a geringonça em bom estado.
Tudo isto é para dizer que não basta ter boas ideias - por vezes, também é preciso dar-lhes continuidade.
E é isso mesmo que (não) se está a passar com o auto-colante cuja imagem aqui se reproduz.
O benemérito que o criou e os CTT que o distribuiu fizeram «uma boa coisa por uma boa causa» - mas ficaram-se por aí; é que os «distribuidores de publicidade» que andam de porta em porta arrancam-no com frequência, e nas Estações de Correio (pelo menos naquelas onde me dirigi - e foram muitas) dizem que deixaram de se fazer.
Eles que me desculpem, mas essa explicação não «cola»!
Publicado no "Diário Digital" em 15 Janeiro 2005
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