Colaborações no Diário Digital


A Grande Deriva

Já se sabe que, se o motivo para Bush rebentar com o Iraque foi o facto de ele ser governado por um ditador (e esqueçamos, por momentos, quem em tempos o armou), não precisava de ter ido tão longe - tinha Cuba a um tiro de fisga. E se o motivo era o desrespeito pelas resoluções da ONU, Israel também estava mais perto - tal como a Arábia Saudita e inúmeros outros países, se o problema eram os direitos humanos.

Há, no entanto, uma justificação plausível para essa aparente incongruência:

Por muito poucos conhecimentos científicos que tenha, Bush deve ter ouvido falar da «deriva dos continentes» (as Américas estão a afastar-se lentamente da África e da Euro-Ásia); ora isso explicaria a sua pressa: era preciso agir antes que a distância ficasse incompatível com o raio de acção dos mísseis e bombardeiros.

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Mas, neste género de comentários, é preciso ter muito cuidado, pois há uma geringonça chamada Échelon que detecta mails, faxes, telefonemas, etc. e depois, com a inteligência que algum Professor Pardal lhe meteu, procura «palavras-chave» e age em conformidade.

E à conta disso já apanhei um grande susto, pois um dia destes, só depois de enviar um e-mail é que me apercebi de que havia escrito:

«... SEGUNDO A OPINIÃO DE QUEM USA AQUELE TRAJECTO, PODIAM METER UMA BOMBA DE GASOLINA JUNTO DA EMBAIXADA DOS ESTADOS UNIDOS DA AMÉRICA...».

Agora veja-se a cara com que fiquei quando, pouco depois, vi à porta de minha casa um carro com a palavra «CIA» pintada na porta da frente!

Só quando me aproximei é que vi (na porta de trás) a explicação do mistério: «POLI».


Publicado no "Diário Digital" em 29 Março 2004

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