Colaborações no Diário Digital


O bebé (e o) chorão

Na sequência das críticas que recentemente fizeram ao Governo, este deixou de considerar Constâncio, Cavaco, a AACS, e a Standard & Poor's altamente credíveis para passar a referir-se-lhes como a tontinhos - reagindo, assim, como os cantores-pimba quando lhes fazem reparos.

Da consultora, foi até dito que se deixava influenciar pelos títulos dos jornais; ou seja: embora a responsabilidade das trapalhadas continuasse a ser assacada à Comunicação Social, passou a ser repartida entre quem a produzia e quem nem sequer a percebia.

A saída de Henrique Chaves (*) (cuja função era coordenar o Governo, e que se queixou de que não o deixavam coordenar nada) apenas serviu para tornar bem claro o que toda a gente já sabia: que os problemas letais para a Coligação estavam dentro de portas, o que Santana Lopes também confirmou ao comparar o Executivo com um mal-amado bebé prematuro.

Por sinal, no respeitante a essas lamúrias, houve quem o criticasse por abordar numa cerimónia oficial um problema puramente partidário; mas o "desvio" valeu a pena, pois permitiu-nos, finalmente, perceber a razão da catadupa de garotices que nos desabou em cima!


(*) Se tivesse aproveitado os conhecimentos dos dirigentes futebolísticos a quem deu audiência, teria ficado a saber como é fácil ser-se colocado fora-de-jogo. Mas sempre deve ter aprendido qualquer coisinha: quando, no seu famoso jogo-de-domingo, bateu com a porta (metendo um golo na própria baliza), soube lançar as culpas para o árbitro. E a ideia foi tão boa que, dois dias depois, Santana Lopes imitava-o - passando, assim, de acusado a acusador.


Publicado no "Diário Digital" em 2 Dezembro 2004

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