Facções e «contra-facções»
No Congresso de Guimarães, José Sócrates apresentou uma moção segundo a qual o PS não fará alianças à direita.
Decerto por razões de simetria, o senior Jaime Gama - agora sob a deliciosa etiqueta de «Esquerda Moderna» (?!?!) - veio dizer, a seguir, que o PS não fará alianças à esquerda.
Ora, quando alguém perguntou - e com alguma razão - «Então como é?», ficou claro (pela voz do também senior-moderno Jorge Coelho - pontuada pelo dedo-em-riste inevitável nestas ocasiões...) que a segunda versão é que é a mais provável.
Assim, e como «Acordos à esquerda, nunca, mas à direita, talvez», o PSD e o CDS poderão passar a encarar de boamente estes recém(?)-chegados ao seu mundo, a que agora se dá o nome de «centrão».
Desiluda-se, pois, quem espera um futuro Governo-PS muito diferente do actual.
E com vantagem para quem - além dos eventualmente eleitos?
É que o votante que, em vez da esquerda, prefira o centro ou direita, tem à sua disposição, no mercado eleitoral e pelo mesmo preço do made-in-Rato/Guimarães, produtos genuínos made-in-Lapa/Cascais.
NOTA: Tal com a maior diferença entre o PPD e o PP ainda é a letra «D», também entre o PSD e o PS está a verificar-se exactamente o mesmo...
Publicado no "Diário Digital" em 6 Outubro 2004
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