Cândidos candidatos!
Confrontados com uma situação em que o poder lhes é oferecido «de bandeja», há políticos que se fazem rogados, enquanto outros saltam para o poleiro e a ele se agarram como lapas; e há ainda os que assumem, uma após a outra, as duas posturas.
Vem isto a propósito de a toda a hora nos darem como certas as candidaturas de António Guterres e Cavaco Silva à Presidência da República - ao mesmo tempo que os próprios o desmentem.
Então em que ficamos?!
O que vale é que a hora-da-verdade se aproxima, pelo que em breve veremos quem é que nos tem andado a tomar por tontinhos-de-feira. No entanto, seja o que for que aconteça não terá consequências para ninguém em termos de credibilidade, pois toda a gente sabe que, lamentavelmente, o recurso à «inverdade» é uma espécie de direito divino a que grande parte da classe política se arroga.
Além de que há mentiras e mentirinhas: quantas vezes dizemos «Bom dia!» a alguém quando, na realidade, queremos é que lhe caia o telhado na cabeça?
No fim de contas, é bem possível que Cavaco e Guterres estejam a reagir como o Mestre de Avis quando, em 1385, o propuseram para rei: fartou-se de dizer que não queria... mas estava mortinho por aceitar!
Se é esse o caso, seria muito bem-feito se lhes acontecesse o mesmo que à criancinha gulosa a quem a tia (que o não era menos) ofereceu um bolo de creme.
Contava ela, chorosa:
- De facto (snif), eu disse duas vezes que não queria, mas à terceira vez (snif) ia aceitar, como me ensinaram. Só que a minha tia (snif) não me deu tempo: «Ai não queres?», e truca!, engoliu-o ela... e de uma vez só!
Publicado no "Diário Digital" em 8 Setembro 2004
|
|
|
|
|