Colaborações no Diário Digital


Jardim infantil

Palpita-me que a maioria das pessoas gostaria de ficar para a História. Alberto João Jardim não foge à regra, e já teve o cuidado de nos informar que espera vir a ser recordado durante as próximas cinco ou seis gerações.

Tudo bem; a frase só revelaria pouca ambição (porquê só cinco ou seis?!) se não fosse completada pela que se seguiu:

- Será a minha vingança!

Que diabo! Então isso tem algum jeito? Ficar para a Posteridade «por vingança»?

O certo é que a História prega algumas partidas:

Há pessoas - como a maioria dos cientistas famosos - que ficaram para a História por bons motivos.

Outras, como Jack-o-Estripador... nem por isso.

Com outras ainda, passa-se um misto - é o caso do Marquês de Pombal, com a sua política de grande visão mas que carrega consigo a nódoa indelével do processo dos Távoras.

Ora, por que motivos - bons ou maus - Alberto João Jardim ficará para a História?

Na mesma semana em que declarou tal pretensão, apareceu num acto público a chamar «energúmenos» aos seus opositores. De seguida, informou o povo de que estaria disposto a «dar dois coices»...

Não há dúvida de que escolheu, para a imortalidade, a mesma via de Pinheiro de Azevedo, que será para sempre recordado pelo seu «Bardamerda» e não por qualquer coisa meritória que tenha feito - e decerto fez.

Não sei se é Alberto João quem escreve os seus próprios discursos. De qualquer forma, seja quem for que o faz, deve usar as famosas «BIC laranja, para escrita fina»...


Publicado no "Diário Digital" em 11 Agosto 2004

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