Carta(s) Branca(s)


O papel da Justiça

Imagino o dilema deontológico dos jornalistas para transcreverem a famosa frase de Ferro Rodrigues pela qual se ficou a saber a opinião dele acerca do segredo de justiça:

«Pomos o que ele disse - colocando a indicação «(sic)» - ou metemos umas estrelinhas

Em matéria de desabafos não é preciso remontar ao famoso «Bardam****!» de Pinheiro de Azevedo: recentemente, um ilustre magistrado deixou para a posteridade uma expressão semelhante quando foi abordado por repórteres de TV: «Parto essa m**** toda!».

Por estes dois exemplos se vê como, usando as estrelinhas, teria sido possível dar a tal notícia de forma elegante.

Escrevia-se «T'ou-me c****** para o segredo de justiça!» - e toda a gente teria entendido; além de que havia alternativas, igualmente finíssimas, como usar o termo «defecando».

E até é bem possível que ele tenha dito «obrando» (considerando o seu passado à frente do Ministério a que agora se chama das Obras Públicas), e que a transcrição tenha sido adulterada por algum «cabalista».

De qualquer forma, e como «isto anda tudo ligado», dão que pensar os tais caixotes-do-lixo cheios de documentação judicial colocados à porta do Tribunal de Instrução Criminal. Tal facto parecia ser apenas um bom indicador - se não do ponto a que pode chegar o segredo de justiça, pelo menos da sensibilização da rapaziada para a reciclagem. Mas também é possível que esses papéis estivessem, apenas, a ser disponibilizados ao povo para outro fim - como acima se depreende.


Publicado no "EXPRESSO" - "Carta Branca", em 8 Novembro 2003

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