Carta(s) Branca(s)


Bom «dia»!

Em plena invasão do Iraque, um jornalista perguntou a um cidadão barrigudo (com uma espingarda obsoleta e «protegido» com sacos de areia) o que estava ali a fazer. «Defendo a minha terra!» - respondeu ele. A mesma pergunta, feita a um soldado do outro lado, deu origem a uma displicente resposta: «Pagam-me para isto...». Mas o mais certo é que o primeiro tenha passado a ser referido como um «mercenário» e o segundo como um «libertador».

Esta foi uma das coisas que vieram à baila numa conversa com o meu velho amigo Roberto acerca do serviço militar e do Dia da Defesa Nacional, e em que concordámos que, sem o S. M. O., dificilmente teria havido o 25 de Abril em Portugal.

Ora, curiosamente, esse tal «dia» teve lugar na Base Naval do Alfeite, onde fiz a tropa. Ao ver as imagens na televisão sorri, e relembrei a manhã de 2 de Setembro de 1970: parece que estou a ver o Bagão Félix (tão magrinho!), o José Luís Nunes (tão gordinho!) e tantos outros a quem perdi o rasto!

E foi ao relembrar o cadete Félix que pensei que este «dia» de 2003 podia ter sido muito mais interessante: teria bastado que Portas, seu colega de governo, em vez de ameaçar com irritantes multas tivesse convocado os mancebos (e as mancebas...) para a Unidade onde fez o seu Serviço Militar e temperado o inevitável discurso mobilizador com o relato de algumas daquelas peripécias divertidas por que passaram todos os que fizeram a tropa.

NOTA: O Roberto garantiu-me que o nosso Ministro da Defesa não fez o Serviço Militar! Confirmei à última hora que era verdade, mas já não fui a tempo de refazer o texto.


Publicado no "EXPRESSO" - "Carta Branca", em 1 Novembro 2003

Nesta «Carta» refere-se - por lapso - José Luís Nunes em vez de Luís Nunes de Almeida (este, sim, garboso cadete do 17º Curso de Formação de Oficiais da Reserva Naval). A correcção foi publicada no "Expresso" da semana seguinte.

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