Carta(s) Branca(s)


Partidos e quebrados

Se não me falha a memória, pouco depois de, há alguns meses, o juiz Rui Teixeira ter ido pessoalmente à Assembleia da República «convocar» o Dr. Paulo Pedroso, o deputado Guilherme Silva, líder parlamentar do PSD, disse qualquer coisa do género:

«Se fosse comigo, convocava uma conferência de imprensa, chamava pulhas a quem me tivesse acusado (...)» etc, etc.

Lembrei-me disso quando agora o ouvi comentar (e com alguma razão) a forma despropositada e desproporcionada como Paulo Pedroso foi ao Parlamento «comemorar» (quer se queira, quer não, foi assim que o cidadão-comum interpretou o que aconteceu) a sua saída da prisão.

E por falar em saídas:

Não me sai da memória a fotografia publicada na primeira página do Expresso do passado dia 11: a de uma mesa (que deve ser propriedade do povo português se a senhora Ministra das Finanças ainda a não vendeu para controlar o défice...) escaqueirada no decorrer das «festividades».

Segundo li, além da mesa o pessoal estragou também alguns irradiadores (supostamente do mesmo proprietário) - mas isso até se desculpa tendo em conta o facto de a recepção, já por si, ser muito calorosa.

Seja como for, os dois episódios parecem ligados, o que mais uma vez parece confirmar a tese do «centrão» - segundo a qual o PS e o PSD só diferem em assuntos de pormenor e de forma (e não de fundo).

Sejamos realistas: o que dizer do facto de (sobre o mesmo assunto e no mesmo local) vir, num dia, alguém do PSD ameaçar «partir a loiça» e pouco depois vir alguém do PS «partir a mobília»?!


Publicado no "EXPRESSO" - "Carta Branca", em 18 Outubro 2003

Página Anterior
Topo da Página
Página Principal
Página Seguinte