Carta(s) Branca(s)


Fundadores-dadores

Um gestor português justificava assim o descalabro de uma empresa muito conhecida: «É que eles poupam nos tostões como se fossem milhões, mas gastam milhões como se fossem tostões».

Por associação de ideias, quando eu soube que Portugal ia pagar umas largas centenas de milhões de Euros por submarinos topo-de-gama, interroguei-me onde é que se iria economizar. A resposta veio um dia destes: Paulo Portas decidiu cortar na guarda-de-honra dos túmulos dos reis fundadores!

Mas por que diabo terá decidido implicar Afonso Henriques e Sancho I nas barafundas do défice?! A explicação pode estar no facto de Portas ser uma pessoa imprevisível. Veja-se, entre muitos exemplos, como num dia ele assume uma pose de estadista e no seguinte a de demagogo-de-trazer-por-casa - agitando freneticamente um dedo no ar, subindo a altura da voz uma ou duas oitavas, e ameaçando dar cabeçadas nos microfones que os jornalistas lhe põem à frente!

A essa luz, não é estranho que tenha colaborado na Cruzada de Bush e agora pisque um olho cúmplice ao mundo islâmico. Sim, porque pode ser dessa forma que os muçulmanos encarem a desconsideração feita pelo senhor ministro a Afonso & Filho que, em Portugal, foram os precursores do combate aos islamismo por meios - digamos... - pouco dialogantes. Aliás, esses façanhudos monarcas, em termos de eficiência nessa tarefa, fariam corar de vergonha guerreiros de opereta como Bush, Blair e Aznar - para já não falar do pândego do Berlusconi e de outros aprendizes-de-feiticeiro que todos conhecemos...


Publicado no "EXPRESSO" - "Carta Branca", em 11 Outubro 2003

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