Carta(s) Branca(s)


Remédio santo

Há quem ache que não se devem demitir pessoas «de alto nível» de cada vez que há uma tragédia relacionada com o seu pelouro: para quê empandeirar ministros (no caso de caírem pontes ou arder metade do país) se os culpados mais directos continuarem nos seus lugares - garantindo que a incompetência, a corrupção ou a simples estupidez continuam a fazer o seu caminho? Além do mais, se assim fosse, e a longo prazo... quem é que nos governaria?

Ora, nas «Lendas e Narrativas», Herculano, a propósito de Afonso Domingues, dá uma boa pista para ajudar a resolver esse dilema: o Mestre, depois de terminado o tecto da Casa do Capítulo do Mosteiro da Batalha (que todos achavam que ia desabar), permaneceu três dias debaixo dele - como prova suprema de confiança no seu trabalho.

Dado que a ideia parece óptima, proponho que se coloquem tendas (ou contentores) por debaixo das pontes e viadutos portugueses e lá passem a trabalhar, pelo menos de vez em quando, os responsáveis pelo respectivo projecto, execução, fiscalização e manutenção.

E, tendo em conta a mesma filosofia, sugiro que no meio do que resta da floresta nacional sejam colocadas, na época dos fogos, confortáveis casinhas feitas de madeira bem seca, onde os responsáveis pela prevenção dos incêndios florestais possam trabalhar tranquilamente.

Se a sugestão for aceite, não se esqueçam de reservar também um cantinho, nesses lugares privilegiados, para os responsáveis pelos cortes de verbas que afectam a prevenção e a manutenção daquilo que todos nós sabemos...


Publicado no "EXPRESSO" - "Carta Branca", em 4 Outubro 2003

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