Carta(s) Branca(s)


O nível zero

Todos nos recordamos de que, para ser eleito, Durão Barroso prometeu várias coisas, duas das quais não serão esquecidas tão cedo: baixar impostos e adiar a construção do Aeroporto da Ota até que deixasse de haver criancinhas em lista de espera nos hospitais.

«Cumpriu» a primeira promessa aumentando o IVA, e transferiu a responsabilidade da outra do Ministério de Obras Públicas para o da Saúde! E se, no primeiro caso, ninguém ligou muito à aldrabice (desde quando é que, em política, as promessas são para cumprir?), no segundo até contribuiu para enriquecer o anedotário nacional.

E já nem me lembraria da rábula dos impostos-sobe-e-desce se não tivesse visto na televisão, muito recentemente, a mesma pessoa a prometer outra vez a mesma coisa e com a mesma convicção! Só que, agora, «a coisa» é mais concreta: o IRS - para os particulares - baixará (?) lá para 2006; quanto ao IRC - para as empresas - será já para breve.

Mais ou menos por essa altura, a Senhora Ministra das Finanças informava o povo, com ar choroso, que 57% das empresas portuguesas não pagam impostos. Mas, como não mostrou vontade política para combater esse flagelo, bem podia ter coordenado o seu discurso com o do Primeiro Ministro por forma a que este tivesse prometido a redução dos impostos para essa esforçada maioria empresarial em... 100%.

Nota: Conhecem a história do comerciante que passava a vida a queixar-se: «Este ano não ganhei nada!» - e do amigo que, para o animar, lhe dizia: «Coragem! Pode ser que no próximo ganhes o dobro»?


Publicado no "EXPRESSO" - "Carta Branca", em 13 Setembro 2003

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