Carta(s) Branca(s)


Os luso-marcianos

Para se pedir a ajuda da Comunidade Europeia por causa dos fogos florestais é preciso fazer uma coisa que só aparentemente é simples: saber qual a área consumida pelas chamas; tenho andado a matutar por que é que diversos organismos chegam a números diferentes, e palpita-me que já sei a resposta:

É que, quando se fala de áreas grandes, recorre-se com frequência a uma bizarra unidade de medida: a «dimensão de um campo de futebol». Ora, acontece que não há nada mais variável, pois pode ter 45 a 90 m de largura e 90 a 120 de comprimento. Assim, e se os homens da bola (que são quem mais manda neste mundo) não se entendem numa coisa tão importante, como é que as pobres entidades oficiais o hão-de conseguir?

Também faz pena ver certas alminhas a procurarem explicações para o nível que a catástrofe atingiu - por forma a «sacudirem a água do seu capote»: desde faíscas enviadas por S. Pedro (e que a Senhora de Fátima não desviou - evitando assim conflitos de competências), até foguetes de romarias (passando por granadas guardadas na mesinha-de-cabeceira por ex-combatentes) tem havido de tudo um pouco.

E foi ao ver alguns desses tristes aparecerem na TV com ar de marcianos que me lembrei de lhes sugerir um bode-expiatório bastante mais credível:

É que Marte tem estado a uma distância tão curta da Terra como só sucedeu há dezenas de milhares de anos, e não é preciso ser astrólogo para lhe assacar responsabilidades: tratando-se do deus da Guerra, é evidente que só podia contribuir para que ficasse tudo... se não a FERRO (?), pelo menos a FOGO.


Publicado no "EXPRESSO" - "Carta Branca", em 30 Agosto 2003

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