Grande Defesa!
Recentemente, vimos militares a protegerem o seu quartel do fogo utilizando ramos de árvores - devem ser os tais «ramos» das Forças Armadas -, numa espécie de Guerra-do-Solnado em que o inimigo espera pelo Verão para atacar com caixas de fósforos.
Mas repare-se como as coisas podem não ser o que parecem:
Em cenas de guerra, é espantoso ver como as chamas nem sequer poupam os veículos feitos de aço: automóveis, jipes, camiões e até tanques de combate - tudo arde, mesmo carros de bombeiros!
Por isso é que foi genial que os últimos governos tenham decidido gastar uns mil milhões de Euros em submarinos, as únicas armas de guerra que (pelo menos enquanto submersas) estão garantidamente a salvo dos fogos.
Paulo Portas reduziu o número desse trambolhos de três para dois. Presumo que um seja «de corrida» (para perseguir os traficantes que usam lanchas voadoras) e o outro equipado com espantalhos para assustar os pescadores espanhóis (até ser apanhado pelas respectivas redes de arrasto). Mas sempre dava jeito o tal terceiro, para percorrer o rio Lis e a Ribeira dos Milagres em busca dos poluidores das suiniculturas.
De qualquer forma, e felizmente, haverá as tais «contrapartidas» que o consórcio vencedor da venda dos submarinos dará a Portugal. Visto que o valor deles é semelhante ao prejuízo provocado pelos fogos deste ano, pode ser que nos mandem, ao abrigo dessa negociata-da-China, uma dúzia de pessoas competentes (de preferência, mas não necessariamente) em assuntos florestais.
Publicado no "EXPRESSO" - "Carta Branca", em 16 Agosto 2003
|
|
|
|
|