Carta(s) Branca(s)


Os (in)suspeitos do costume

É hoje do domínio público que os motivos alegados para a invasão do Iraque não passaram de pretextos mal-enjorcados: as armas de destruição maciça (nomeadamente o urânio da Nigéria e as ogivas químicas e biológicas do tipo «fast-food» - prontas no microondas em 45 minutos), eram afinal patacoadas para-inglês-ver o que, no entanto, não tira minimamente o sono aos que quiseram levar o mundo para a guerra.

Argumenta a má-consciência desses pândegos:

- As aldrabices foram com a melhor das intenções... Conseguimos acabar com um ditador!

Claro! Mas então por que não começaram pelo Fidel, que estava a um tiro de fisga?

Sendo Guantánamo em Cuba, isso teria permitido alargar a base-prisão a toda a ilha, e já haveria espaço para lá meter desde os agentes da CIA e dos serviços secretos do Paquistão (que amamentaram a Al-Qaeda e embalaram o Bin Laden) até aos políticos e homens de negócios que armaram o Saddam - nos bons velhos tempos em que ele, agradecendo a ajuda, perseguia chiítas, gaseava curdos e massacrava iranianos com notável eficiência.

Pelos vistos, Bush ignora que Portugal foi um dos países que venderam armas ao «Carniceiro de Bagdad» e até lhe disponibilizou urânio quando o homem se quis modernizar!!

É possível que o facto de isso se ter passado com governos de dois partidos bem nossos conhecidos faça com que o assunto seja encarado como um simples «fait-divers». Mas, pelo-sim-pelo-não, eu recomendaria àqueles que, decerto, vão assobiar para o ar, que evitem a música «Guantanamera»...


Publicado no "EXPRESSO" - "Carta Branca", em 2 Agosto 2003

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