Carta(s) Branca(s)


A respeito do respeitinho

Quando Jorge Sampaio proclamou que «os políticos merecem respeito» limitou-se a proferir uma banalidade, pois qualquer pessoa que trabalha está nessas condições - mas só em princípio, pois há um outro lugar-comum a ter em conta: «só é respeitável quem se dá ao respeito».

Não vale a pena referir, por demasiado risível, os deputados que quiseram ver as suas faltas justificadas por terem ido à bola «em serviço» - até porque foram apenas 13% deles, e a rábula que protagonizaram deu mais a ideia de uma garotice (de putos que fizeram gazeta) do que coisa de pessoas crescidas.

Mas já não se passa o mesmo com políticos que empurram o Mundo para a guerra a partir de pressupostos duvidosos, ou que fogem com o rabo à Justiça, ou que mudam de opinião conforme lhes convém, etc. Esses, quando muito e por especial favor, talvez mereçam um respeitinho chocho.

É possível que a limitação de mandatos seja uma boa solução para que não se eternizem no lugar. De facto, se até o Presidente da República está sujeito a ela, por que não o hão-de estar todos?

Alberto João Jardim (com mais de 25 anos de governo) já se pronunciou: «Isso seria uma afronta à vontade do povo!». Depois de um esforço para o levar a sério, concluí que até era possível arranjar-se uma forma de agradar a toda a gente:

Os políticos seriam eleitos como os papas, que juntam as vantagens das duas situações: têm limitação de mandatos (só um) e exercem-no até se fartarem (ou até serem chamados para junto d' Aquele que representam na Terra).


Publicado no "EXPRESSO" - "Carta Branca", em 19 Julho 2003

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