Carta(s) Branca(s)


No ar, na A.R.

Parece evidente ao comum dos mortais que, se alguém decide aderir a um partido onde já sabe que a norma é o voto de braço-no-ar, é porque está de acordo com esse procedimento - e ninguém devia ter nada com isso, muito menos os outros partidos; mas «a Maioria» decidiu gastar tempo e energias para legislar sobre o assunto visando a proibição desse expedito método.

Como se sabe (e já era de esperar), essa peregrina ideia vingou, e até serviu para incomodar o Tribunal Constitucional, órgão que se limitou a confirmar o óbvio: a decisão não é inconstitucional; «quando muito, é idiota» - talvez tenham pensado alguns dos juizes.

Ora, recentemente, um telejornal mostrou uma votação no Conselho de Segurança da ONU: tratava-se de saber se deviam, ou não, ser levantadas as sanções contra o Iraque. Pois os representantes dos países votaram de braço-no-ar - processo que, pelos vistos, serve para decidir sobre a guerra e a paz no Mundo, mas não para escolher os membros de um Comité Central!

Algum tempo depois, mostrava-se uma outra votação:

«Os senhores deputados que estão de acordo fazem o favor de se levantar» - era Mota Amaral, com a sua voz cordata e pausada, dirigindo-se aos representantes do povo português.

E julgo que foi assim que a decisão de que «nos partidos não se podem fazer eleições por braço-no-ar» foi tomada pelo método (muito mais elegante, há que reconhecê-lo!) do «rabo-no-ar»...


Publicado no "EXPRESSO" - "Carta Branca", em 5 Julho 2003 e no "Correio da Manhã" de Moçambique no dia anterior

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